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El Niño intenso até 2027 muda o mapa de risco climático para a safra 2026/27

El Niño forte até 2027 deve trazer chuvas irregulares e ondas de calor, alterando o planejamento da safra 2026/27 de soja e outras culturas no Brasil.

13 de junho de 2026 4 min de leitura
El Niño intenso até 2027 muda o mapa de risco climático para a safra 2026/27

O retorno de um El Niño forte, com permanência provável até 2027, foi confirmado por centros internacionais de meteorologia e acende alerta para a safra 2026/27 no Brasil.[6][5] O fenômeno tende a gerar chuvas irregulares, períodos de estiagem e ondas de calor, alterando janelas de plantio, produtividade e custos de produção em várias regiões agrícolas.[6]

O que aconteceu

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) elevou para mais de 90% a probabilidade de formação de um El Niño entre junho e agosto de 2026, com chance de se manter ativo até 2027.[5] A expectativa é de um evento de moderado a forte, capaz de reorganizar o regime de chuvas na América do Sul.[5][6]

Segundo meteorologistas ouvidos pelo Canal Rural, o padrão previsto é de chuva acima da média em parte do Sul e irregularidade hídrica no Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, principalmente na primavera e no verão 2026/27.[6] As projeções incluem ondas de calor mais frequentes e intensas, com picos de temperatura que podem coincidir com fases sensíveis das lavouras, como florescimento e enchimento de grãos.[6]

O cenário preocupa produtores pela possibilidade de atraso na semeadura da soja entre setembro e outubro de 2026, aumento do risco de replantio e maior exposição a veranicos durante o ciclo.[6] A irregularidade das chuvas também pode afetar o escalonamento do milho segunda safra e o planejamento de pastagens.

Por que importa para o agro

Para o produtor, um El Niño intenso significa maior incerteza na janela de plantio e mais risco de quebra localizada de safra, mesmo em anos com volume total de chuva próximo ou acima da média.[6] A combinação de calor e chuva mal distribuída aumenta a evapotranspiração, acelera o ressecamento do solo e pressiona o uso de irrigação onde estiver disponível.

Do lado de mercado, o risco climático no Brasil e em outros grandes exportadores tende a ser precificado em prêmios de risco e maior volatilidade nas cotações de soja e milho na B3 e na Bolsa de Chicago.[4] Com quebra em regiões específicas, podem surgir oportunidades de preço para quem conseguir manter produtividade via manejo, tecnologia e proteção de plantio.

Dados e contexto

Indicador climáticoSituação projetada 2026/27
Probabilidade de El Niño (NOAA)**>90%** entre jun-ago/2026[5]
Duração provávelAté **2027**, com intensidade moderada a forte[5][6]
Sul do BrasilTendência de **chuvas mais frequentes**, risco de excesso em algumas áreas[6]
Centro-Oeste e Matopiba**Chuvas irregulares**, veranicos e calor mais intenso[6]
Risco para soja 2026/27Atraso na semeadura, falhas de estande, perda de potencial produtivo[6]

Em anos de El Niño forte, o histórico da Embrapa e da Conab mostra padrão de excesso de chuva no Sul e déficit hídrico relativo em parte do Centro-Oeste e Nordeste, embora cada evento tenha comportamento próprio. Estudos indicam que ondas de calor na fase reprodutiva podem reduzir a produtividade de soja em até 20% em situações de estresse hídrico simultâneo.

A NOAA e outros centros, como a Organização Meteorológica Mundial, reforçam que a combinação de El Niño com o aquecimento global aumenta a chance de recordes de temperatura e eventos extremos. Isso amplia o desafio de manejo de solo, água e plantas, exigindo planejamento mais fino da safra 2026/27.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, produtores devem acompanhar atualizações mensais de modelos climáticos, focar em planejamento de plantio por talhão, reforçar práticas de conservação de solo e água e avaliar seguro rural e travas de preço. Em um El Niño intenso e duradouro, ganha competitividade quem combinar flexibilidade de janela, cultivares adaptadas ao estresse e gestão de risco de mercado.

Fontes

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