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El Niño já encarece café, cacau e açúcar e ameaça PIB do agro em 2027

Fenômeno climático eleva cotações de café, cacau e açúcar e pode derrubar o PIB da agropecuária em 2027.

30 de agosto de 2026 4 min de leitura
El Niño já encarece café, cacau e açúcar e ameaça PIB do agro em 2027

O fortalecimento do El Niño já elevou os preços internacionais de café, cacau e açúcar e acendeu o alerta no agronegócio brasileiro. Consultorias e bancos projetam que o fenômeno climático pode derrubar o PIB da agropecuária em 2027, ao mesmo tempo em que pressiona a inflação de alimentos e aumenta a volatilidade das commodities.

O que aconteceu

O mercado futuro já embutiu um “prêmio de risco climático” nas principais soft commodities. Levantamento da consultoria StoneX mostra que os contratos de cacau em Nova York acumulam alta superior a 40% desde o início de fevereiro, refletindo o temor de que o El Niño reduza a oferta em países da África Ocidental, grandes produtores do grão.

No açúcar, os contratos negociados também em Nova York sobem cerca de 22% em agosto, com preços na faixa de 17 a 18 centavos de dólar por libra-peso, patamar mais alto do que o observado na média recente. A combinação de risco climático e especulação financeira ampliou o movimento.

O café segue a mesma direção. Os preços do arábica já avançaram perto de 35% e os do robusta, cerca de 20% desde meados de junho, segundo dados de mercado compilados pela StoneX e pelo Valor Econômico. A expectativa é de que quebras de safra em 2027 já estejam sendo precificadas.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o cenário mistura oportunidade e risco. De um lado, preços mais altos podem melhorar a rentabilidade nas safras 2026/27, especialmente para quem já travou custos e parte da produção em bolsa ou em contratos com indústrias. De outro, o El Niño forte aumenta a chance de perdas de produtividade, sobretudo em regiões cafeeiras e canavieiras mais expostas a calor extremo e déficit hídrico.

No macro, análises de bancos como o Itaú indicam que o PIB da agropecuária pode ficar negativo em 2027, com impacto inclusive no PIB brasileiro. A consultoria MB Associados estima que o choque climático pode adicionar cerca de 0,3 ponto percentual ao IPCA de 2027, via aumento dos preços de alimentos. O movimento em café, cacau e açúcar tende a ser acompanhado por outras culturas sensíveis ao clima.

Dados e contexto

Modelos climáticos monitorados por centros internacionais e pela Embrapa Clima Temperado apontam probabilidade acima de 80% de manutenção do El Niño ao longo do segundo semestre, com risco de intensificação para um super El Niño no fim do ano. Isso aumenta as chances de extremos de chuva no Sul e calor e seca no Sudeste e Centro-Oeste.

Segundo o USDA e a Conab, o Brasil é um dos principais responsáveis pela oferta global de café, açúcar e, em menor escala, pela demanda de cacau. Qualquer quebra expressiva de safra no país tende a ter efeito direto nas cotações internacionais e na renda do produtor.

Em relatórios recentes, o g1 e o Globo Rural destacam que:

  • Para o café arábica, já se fala em perda potencial de até 25% da produção de 2027 em cenários de El Niño intenso.
  • No cacau, estimativas para a safra 2026/27 na Costa do Marfim indicam colheita cerca de 9% menor, o que reforça a escalada de preços.
  • Para o açúcar, o viés de alta é alimentado por risco de quebra em países asiáticos e ajustes de mix entre açúcar e etanol no Brasil.
Relatório de banco internacional como o Rabobank aponta que o mercado já vê chance de um evento prolongado até 2027, o que explicaria a forte valorização dos contratos de robusta. A FAO e o IBGE também vêm monitorando o impacto do fenômeno na segurança alimentar e nas projeções de safra.

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias precisam acompanhar de perto a evolução do El Niño entre setembro e o início de 2027. Se o fenômeno ganhar força, o risco é de quebras de safra mais severas, aumento da volatilidade nas bolsas e custos maiores de financiamento, exigindo gestão ativa de seguro rural, hedge de preços e planejamento de caixa. Se houver enfraquecimento antecipado, parte do prêmio climático pode se dissipar, ajustando as cotações e redefinindo a estratégia comercial.

Fontes

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