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El Niño pode apertar a oferta de soja e milho na safra 2026/27

XP vê El Niño como fator de pressão sobre soja e milho, com risco maior para o milho e possível suporte aos preços no ciclo 2026/27.

10 de setembro de 2026 3 min de leitura
El Niño pode apertar a oferta de soja e milho na safra 2026/27

A XP avalia que o El Niño pode apertar o balanço de oferta de soja e milho na safra 2026/27 e dar suporte aos preços. O risco é maior para o milho, principalmente o de segunda safra, mais exposto ao clima no Brasil.

O que aconteceu

A leitura da casa é de que o fenômeno climático pode mudar o quadro de oferta no mercado global e brasileiro. Na soja, o impacto tende a ser mais moderado. No milho, a chance de perda de produtividade é maior, sobretudo se houver atraso no plantio e redução da janela ideal de desenvolvimento.

O raciocínio parte da diferença de sensibilidade entre as culturas. A soja costuma reagir melhor a anos de El Niño em grandes produtores, enquanto o milho, principalmente no ciclo de safrinha, sofre mais com estresse hídrico e desorganização do calendário agrícola.

Na prática, isso pode reduzir a folga entre oferta e demanda e ampliar a volatilidade dos preços ao longo de 2026 e 2027.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o alerta é direto: custo de proteção, estratégia de venda e travas de preço ganham peso quando o mercado enxerga risco climático maior. Se a oferta apertar, a remuneração pode melhorar, mas o risco de quebra também sobe, especialmente no milho segunda safra.

Para a cadeia, o efeito aparece em prêmios, basis, logística e margem da indústria de ração e proteína animal. Um cenário de menor oferta de milho tende a pressionar custos no confinamento, na avicultura e na suinocultura.

Dados e contexto

A Conab estimou, em projeções recentes para o ciclo 2026/27, soja perto de 178 milhões de toneladas e milho em torno de 140 milhões de toneladas no Brasil, com o milho concentrado na safrinha. A safra 2025/26 ainda serve de referência, com produção de soja estimada em 180,6 milhões de toneladas pela Conab.

Em análise divulgada pelo Itaú BBA, anos de El Niño costumam trazer efeito mais neutro ou levemente positivo para a soja e maior risco para o milho, especialmente a segunda safra. A Embrapa também alerta para aumento de pressão de doenças, erosão hídrica e dificuldade de manejo em cenários de chuva intensa.

IndicadorLeitura para 2026/27
SojaRisco climático menor que no milho, mas com atenção ao excesso ou à falta de chuva
Milho 2ª safraCultura mais exposta ao El Niño
Efeito nos preçosTendência de suporte se a oferta apertar

O que observar daqui pra frente

O mercado vai acompanhar o comportamento das chuvas no plantio da soja e, depois, a janela do milho safrinha. Se o regime de chuva atrasar o calendário, o risco para produtividade cresce rápido. Se as condições forem favoráveis no início, o impacto do El Niño pode ser menor do que o previsto.

Também vale observar as próximas revisões da Conab, do USDA e os boletins climáticos da Embrapa e do Inpe. A direção dos preços vai depender menos do nome do fenômeno e mais da intensidade real do estresse nas lavouras.

Fontes

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