El Niño pode encarecer alimentos em até 20% e pressionar a inflação
Projeções indicam alta de até 20% em alimentos in natura com El Niño forte, elevando o IPCA e afetando margens do produtor e do varejo.
Economistas calculam que um El Niño forte pode elevar os preços dos alimentos in natura em até 19,9% em 12 meses, com impacto relevante sobre a inflação oficial medida pelo IPCA. O efeito tende a aparecer com mais força em até seis meses após os choques de clima, encarecendo a alimentação das famílias e alterando o cenário de juros e renda no campo.
O que aconteceu
Estudos citados pelo G1 estimam dois cenários. Em um El Niño moderado, os preços dos alimentos in natura subiriam cerca de 13,4% em 12 meses, enquanto a alimentação no domicílio avançaria em torno de 2%. Já em um El Niño forte, a alta dos in natura poderia chegar a quase 20%, puxando a alimentação no domicílio para algo próximo de 6,3%.
Como alimentos in natura têm peso limitado no IPCA, o efeito é diluído, mas ainda relevante. No cenário moderado, a inflação geral ganharia algo em torno de 0,36 ponto percentual. Em caso de evento forte, o impacto total dos alimentos poderia somar cerca de 0,83 ponto ao IPCA, elevando o risco de estouro da meta de inflação.
Os economistas destacam também o descompasso no tempo entre o choque climático e o pico dos preços. A pior pressão costuma surgir cerca de seis meses após os eventos extremos, quando a oferta já foi reduzida e os custos de produção e logística ficaram mais altos.
Por que importa para o agro
Para o produtor rural, o quadro é de maior risco de quebra de safra, mas também de preços mais altos na ponta. Atrasos de plantio, excesso de chuva em algumas regiões e seca em outras podem afetar cultivos sensíveis, como hortaliças, frutas, feijão, arroz e café. Quem conseguir colher com produtividade razoável tende a capturar preços melhores, mas com custo maior e volatilidade.
Na cadeia como um todo, o El Niño muda as referências de margem e planejamento. Indústrias de alimentos, frigoríficos e varejo podem repassar parte da alta ao consumidor, mas enfrentam perda de demanda se os reajustes forem muito fortes. Para o agro, isso significa atenção redobrada a contratos, seguro rural, travas de preço e gestão de caixa, em um ambiente de juros ainda elevados.
Dados e contexto
Diversas instituições vêm monitorando o risco climático sobre oferta e preços:
- A Conab já alertou, em safras anteriores, que eventos de El Niño costumam alterar a distribuição de chuvas, reduzindo a produtividade em áreas específicas, ao mesmo tempo em que favorecem outras regiões.
- O Inmet e o NOAA apontam que episódios fortes de El Niño aumentam a probabilidade de extremos de chuva no Sul e de seca em partes do Norte e Nordeste, o que atinge grãos, pecuária e produção de leite.
- Estudos citados pelo G1 mostram que o impacto dos alimentos no IPCA pode variar de cerca de 0,36 p.p. em cenário moderado a 0,83 p.p. em evento forte de El Niño.
- Levantamentos do IBGE indicam que a alimentação no domicílio responde por perto de 15% da cesta do IPCA, o que explica por que choques em alimentos rapidamente afetam a inflação percebida pelas famílias.
- Projeções recentes para a inflação de alimentos em anos de clima adverso apontam altas próximas ou acima de 10% em cenários extremos, combinando El Niño com custos elevados de produção.
| Cenário climático | Alta in natura (12m) | Impacto estimado no IPCA |
|---|---|---|
| El Niño moderado | **13,4%** | **+0,36 p.p.** |
| El Niño forte | **19,9%** | **+0,83 p.p.** |
Esses percentuais não são previsões oficiais do Banco Central ou do governo, mas sim simulações feitas por consultorias e economistas usando dados de episódios anteriores de El Niño.
O que observar daqui pra frente
Produtores e empresas do agro devem acompanhar de perto os boletins climáticos de Inmet, Embrapa e serviços internacionais, além dos relatórios de oferta e demanda da Conab e do USDA. A combinação de El Niño forte, estoques menores em alguns produtos e câmbio volátil pode abrir oportunidades de preço para quem se protege com seguro, diversifica culturas e usa ferramentas de hedge, mas também aumenta o risco de perdas para operações descapitalizadas ou muito concentradas em regiões mais expostas.
Fontes
- El Niño pode encarecer alimentos em até 20%; economistas preveem impacto na inflação – G1
- Super El Niño: os efeitos na economia e no preço dos alimentos – G1
- El Niño deve pressionar inflação dos alimentos em 2027 – G1
- g1.globo.com
- g1.globo.com
- g1.globo.com
- g1.globo.com
- g1.globo.com
- oglobo.globo.com
- valor.globo.com
- jb.com.br
- g1.globo.com
- reuters.com
- cbn.globo.com
- oglobo.globo.com
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