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El Niño pode encarecer alimentos em até 20% e pressionar a inflação

Projeções indicam alta de até 20% em alimentos in natura com El Niño forte, elevando o IPCA e afetando margens do produtor e do varejo.

23 de agosto de 2026 4 min de leitura
El Niño pode encarecer alimentos em até 20% e pressionar a inflação

Economistas calculam que um El Niño forte pode elevar os preços dos alimentos in natura em até 19,9% em 12 meses, com impacto relevante sobre a inflação oficial medida pelo IPCA. O efeito tende a aparecer com mais força em até seis meses após os choques de clima, encarecendo a alimentação das famílias e alterando o cenário de juros e renda no campo.

O que aconteceu

Estudos citados pelo G1 estimam dois cenários. Em um El Niño moderado, os preços dos alimentos in natura subiriam cerca de 13,4% em 12 meses, enquanto a alimentação no domicílio avançaria em torno de 2%. Já em um El Niño forte, a alta dos in natura poderia chegar a quase 20%, puxando a alimentação no domicílio para algo próximo de 6,3%.

Como alimentos in natura têm peso limitado no IPCA, o efeito é diluído, mas ainda relevante. No cenário moderado, a inflação geral ganharia algo em torno de 0,36 ponto percentual. Em caso de evento forte, o impacto total dos alimentos poderia somar cerca de 0,83 ponto ao IPCA, elevando o risco de estouro da meta de inflação.

Os economistas destacam também o descompasso no tempo entre o choque climático e o pico dos preços. A pior pressão costuma surgir cerca de seis meses após os eventos extremos, quando a oferta já foi reduzida e os custos de produção e logística ficaram mais altos.

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Por que importa para o agro

Para o produtor rural, o quadro é de maior risco de quebra de safra, mas também de preços mais altos na ponta. Atrasos de plantio, excesso de chuva em algumas regiões e seca em outras podem afetar cultivos sensíveis, como hortaliças, frutas, feijão, arroz e café. Quem conseguir colher com produtividade razoável tende a capturar preços melhores, mas com custo maior e volatilidade.

Na cadeia como um todo, o El Niño muda as referências de margem e planejamento. Indústrias de alimentos, frigoríficos e varejo podem repassar parte da alta ao consumidor, mas enfrentam perda de demanda se os reajustes forem muito fortes. Para o agro, isso significa atenção redobrada a contratos, seguro rural, travas de preço e gestão de caixa, em um ambiente de juros ainda elevados.

Dados e contexto

Diversas instituições vêm monitorando o risco climático sobre oferta e preços:

  • A Conab já alertou, em safras anteriores, que eventos de El Niño costumam alterar a distribuição de chuvas, reduzindo a produtividade em áreas específicas, ao mesmo tempo em que favorecem outras regiões.
  • O Inmet e o NOAA apontam que episódios fortes de El Niño aumentam a probabilidade de extremos de chuva no Sul e de seca em partes do Norte e Nordeste, o que atinge grãos, pecuária e produção de leite.
  • Estudos citados pelo G1 mostram que o impacto dos alimentos no IPCA pode variar de cerca de 0,36 p.p. em cenário moderado a 0,83 p.p. em evento forte de El Niño.
  • Levantamentos do IBGE indicam que a alimentação no domicílio responde por perto de 15% da cesta do IPCA, o que explica por que choques em alimentos rapidamente afetam a inflação percebida pelas famílias.
  • Projeções recentes para a inflação de alimentos em anos de clima adverso apontam altas próximas ou acima de 10% em cenários extremos, combinando El Niño com custos elevados de produção.
Uma forma simples de visualizar as projeções citadas na matéria é:
Cenário climáticoAlta in natura (12m)Impacto estimado no IPCA
El Niño moderado**13,4%****+0,36 p.p.**
El Niño forte**19,9%****+0,83 p.p.**

Esses percentuais não são previsões oficiais do Banco Central ou do governo, mas sim simulações feitas por consultorias e economistas usando dados de episódios anteriores de El Niño.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro devem acompanhar de perto os boletins climáticos de Inmet, Embrapa e serviços internacionais, além dos relatórios de oferta e demanda da Conab e do USDA. A combinação de El Niño forte, estoques menores em alguns produtos e câmbio volátil pode abrir oportunidades de preço para quem se protege com seguro, diversifica culturas e usa ferramentas de hedge, mas também aumenta o risco de perdas para operações descapitalizadas ou muito concentradas em regiões mais expostas.

Fontes

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