El Niño pressiona safra e pode encarecer alimentos no Brasil
Fenômeno climático deve afetar trigo, café, milho e outras culturas, com risco de alta nos preços ao consumidor.

O El Niño volta ao radar do agro com potencial de afetar a produção brasileira ao longo de 2026 e 2027. O alerta vale porque o fenômeno costuma mexer com o regime de chuvas, a produtividade das lavouras e, em alguns casos, com o preço dos alimentos.
O que aconteceu
O fenômeno climático deve ganhar força nos próximos meses e tende a alterar o clima em diferentes regiões do país. A principal preocupação é com lavouras de inverno e de verão, além de culturas mais sensíveis a calor, chuva irregular e excesso de umidade.[1]
No Sul, a expectativa é de chuva acima da média. Isso ajuda na reposição de umidade, mas também pode atrapalhar colheita, aumentar perdas e piorar a qualidade de grãos. No Norte e no Nordeste, o risco é de menos chuva, com impacto maior sobre produtividade e disponibilidade de água.[1][3]
Entre as culturas mais expostas estão trigo, milho segunda safra, café e frutas. Em eventos anteriores, essas lavouras já apareceram entre as mais vulneráveis quando o El Niño altera o calendário agrícola e amplia a instabilidade climática.[1][3]
Por que importa para o agro
Para o produtor, o efeito mais imediato costuma ser o aumento do risco operacional. Chuva em excesso atrasa colheita, eleva custo de manejo e favorece doenças. Já a estiagem reduz potencial produtivo e pode forçar replantio, renegociação de contratos ou mudança no planejamento da próxima safra.[1][3]
Para a cadeia como um todo, o impacto aparece no abastecimento e no preço. O fenômeno não determina sozinho a inflação dos alimentos, mas pode somar pressão em um momento em que margens já ficam apertadas e o mercado reage rápido a perdas em culturas estratégicas, como grãos básicos e itens de maior peso na cesta do consumidor.[2][6]
Dados e contexto
- Modelos climáticos citados pela CNN Brasil apontam 30% de chance de El Niño forte e 37% de chance de evento muito forte.[1]
- O Sul tende a receber chuvas acima da média, enquanto Norte e Nordeste podem enfrentar redução das precipitações.[1][3]
- A BBC destaca que o El Niño costuma elevar o risco de secas, incêndios e instabilidade na produção agrícola em países como Brasil, Austrália e Indonésia.[2]
- Especialistas ouvidos pela FGV avaliam que um evento forte pode afetar as safras de 2026 e 2027.[6]
| Cultura | Risco principal |
|---|---|
| Trigo | excesso de chuva e perda de qualidade |
| Milho segunda safra | atraso na colheita e queda de rendimento |
| Café | estresse climático e impacto na florada |
| Frutas | mais doenças, perdas e problemas de padrão |
O que observar daqui pra frente
O mercado deve acompanhar três pontos: intensidade do fenômeno, distribuição das chuvas e reação das lavouras nas próximas semanas. Se o El Niño se confirmar forte, a tendência é de maior volatilidade em preços, principalmente em culturas sensíveis ao clima e em regiões mais dependentes de chuva regular. Produtor e indústria precisam monitorar janelas de plantio, logística e proteção de margem.
Fontes
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