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Embrapa leva Zarc Níveis de Manejo à Hortitec 2026 e mira decisões mais precisas no campo

Novo modelo de Zarc por níveis de manejo será detalhado pela Embrapa na Hortitec 2026 e promete ajustar melhor risco climático à realidade de cada produtor.

19 de maio de 2026 4 min de leitura
Embrapa leva Zarc Níveis de Manejo à Hortitec 2026 e mira decisões mais precisas no campo

A Embrapa vai apresentar na Hortitec 2026 o Zarc Níveis de Manejo, nova geração do Zoneamento Agrícola de Risco Climático ajustada ao nível tecnológico de cada lavoura. A proposta é calibrar melhor o risco climático conforme a estrutura do produtor, ajudando a planejar plantio, crédito rural e seguro de forma mais alinhada à realidade de campo.

O que aconteceu

Na Hortitec 2026, em Holambra (SP), a Embrapa Clima Temperado e parceiros levam ao público de frutas, flores e hortaliças o modelo de Zarc Níveis de Manejo, já em uso para grãos e agora avançando para culturas hortícolas. O sistema diferencia três níveis: manejo baixo, médio e alto, considerando tecnologia, infraestrutura e capacidade de resposta do produtor ao clima.

A atualização muda o jeito de ler o zoneamento: em vez de uma recomendação única de janela de plantio para cada município, o produtor passa a ter cenários distintos conforme seu nível de manejo. Isso tende a refinar a avaliação de risco de seca, excesso de chuva e temperaturas extremas, que afetam diretamente produtividade e qualidade de hortaliças.

A Embrapa também vai mostrar como o Zarc está integrado a plataformas digitais e aplicativos, permitindo consulta mais rápida em celular e computador. Técnicos de assistência, cooperativas e seguradoras podem usar os novos mapas para ajustar recomendações e propostas de seguro rural para o segmento de HF.

Por que importa para o agro

O Zarc é referência para crédito rural e seguro agrícola no Brasil, usado por bancos públicos e privados e pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, do MAPA. Com a inclusão dos níveis de manejo, produtores de hortaliças com estrutura mais simples deixam de ser avaliados como se tivessem o mesmo padrão tecnológico de grandes produtores irrigados.

Na prática, isso tende a reduzir distorções: áreas de alto risco para quem tem baixa tecnologia poderão ser claramente identificadas, evitando financiamentos mal ajustados e sinistros recorrentes. Ao mesmo tempo, propriedades com maior investimento em irrigação, drenagem e manejo de solo podem se beneficiar de janelas de plantio um pouco mais amplas, dentro de critérios técnicos.

Dados e contexto

O Zarc é coordenado pela Embrapa em parceria com o Ministério da Agricultura (MAPA) e vem sendo atualizado para diferentes culturas. Para grãos como soja e milho, o Zarc Níveis de Manejo já foi incorporado gradualmente desde 2023, com foco em tornar os mapas mais aderentes à realidade de campo e ao histórico de produtividade.

No caso de hortaliças, o risco climático é ainda mais sensível. Excesso de chuva aumenta doenças foliares e podridões; calor extremo derruba pega e qualidade. A Conab aponta que o segmento de frutas e hortaliças responde por parcela relevante do valor bruto da produção, mas ainda enfrenta alta variabilidade de oferta e preços justamente por impacto climático.

O zoneamento considera séries históricas de 30 anos ou mais de dados meteorológicos, simulando diferentes datas de plantio e fases fenológicas. O Zarc por níveis de manejo incorpora fatores como:

  • capacidade de irrigação e drenagem;
  • qualidade de preparo e conservação do solo;
  • padrão de insumos e manejo fitossanitário;
  • histórico de produtividade da região.
Um ponto importante é a conexão dessa ferramenta com políticas públicas. O MAPA usa o Zarc como referência para enquadrar operações de crédito rural com recursos controlados. Seguradoras utilizam o zoneamento para definir coberturas, franquias e limites de indenização em apólices agrícolas.

O que observar daqui pra frente

Produtores e técnicos devem acompanhar a disponibilização das tabelas e mapas específicos para cada cultura hortícola e município, além da inclusão progressiva de mais espécies no Zarc Níveis de Manejo. A adoção efetiva passa por capacitação de agrônomos, atenção aos níveis declarados de manejo nos projetos de crédito e alinhamento com seguradoras. Quem organizar bem seus dados de campo e investir em tecnologia terá mais argumentos técnicos para negociar janelas de plantio, crédito e seguro dentro dos novos parâmetros do zoneamento climático.

Fontes

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