Entregas de fertilizantes sobem 3,8% no 1º trimestre de 2026 e indicam antecipação de compras
Brasil recebeu 9,76 milhões de toneladas de fertilizantes no 1º trimestre de 2026, alta de 3,8%, puxada por Mato Grosso e expectativa positiva para a próxima safra.
O Brasil recebeu 9,76 milhões de toneladas de fertilizantes no primeiro trimestre de 2026, alta de 3,8% sobre igual período do ano anterior, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). As entregas mais firmes indicam antecipação de compras e planejamento maior para a próxima safra, em um cenário de preços mais ajustados e expectativa de boa rentabilidade em grãos.
O que aconteceu
Entre janeiro e março de 2026, o volume entregue ao mercado interno passou de cerca de 9,4 milhões para 9,76 milhões de toneladas, mostrando retomada gradual após o ajuste observado em 2024 e 2025.[1]
Somente em março, as entregas chegaram a 2,83 milhões de toneladas, uma alta de 18,7% frente a março de 2025, quando haviam sido comercializadas 2,38 milhões de toneladas.[1]
O Mato Grosso manteve a liderança no consumo, respondendo por 25,2% do total entregue no trimestre, com cerca de 2,45 milhões de toneladas. A demanda é puxada principalmente por soja e milho de alta tecnologia, que exigem adubação intensa para sustentar produtividade elevada.[1]
Por que importa para o agro
A alta nas entregas indica que o produtor está recompondo estoques e voltando a adubar em níveis mais próximos das recomendações técnicas, depois de dois anos em que muitos reduziram doses para conter custos. Isso tende a sustentar produtividade nas principais culturas e reduzir o risco de quebra por deficiência nutricional.
Para a indústria e o varejo de insumos, o movimento de alta nas entregas aponta para um mercado de fertilizantes mais equilibrado, após o pico de preços em 2022 e o recuo de 2023–2024. Com maior volume negociado, a tendência é de maior competição comercial, o que pode beneficiar o produtor em prazos, condições de pagamento e pacotes de serviços.
Dados e contexto
A ANDA consolida os números de entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro, somando produção nacional e produto importado.[1]
Principais dados do 1º trimestre de 2026:
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Entregas totais | **9,76 milhões t** |
| Variação vs. 1T25 | **+3,8%** |
| Entregas em março | **2,83 milhões t** |
| Variação vs. março/25 | **+18,7%** |
| Participação de Mato Grosso | **25,2%** |
| Volume em MT | **2,45 milhões t** |
O crescimento das entregas ocorre em um cenário de estoques globais mais confortáveis e de normalização da oferta após os choques logísticos e geopolíticos de 2022. Relatórios de mercado indicam que os preços internacionais de nitrogenados, fosfatados e potássicos recuaram desde o pico pós-guerra, permitindo melhor relação de troca com soja e milho.[1]
Para o produtor brasileiro, a combinação de custo de fertilizante mais baixo e preços ainda atrativos de commodities agrícolas favorece decisões de adubação mais agressivas. Em Estados como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, a adoção de pacotes tecnológicos intensivos é crucial para manter competitividade em áreas já consolidadas.
O que observar daqui pra frente
Produtores e cooperativas devem acompanhar de perto a dinâmica de preços internacionais, o câmbio e a logística portuária, que seguem decisivos na formação de custo dos fertilizantes. A continuidade da alta nas entregas vai depender da rentabilidade projetada para soja, milho e algodão na próxima safra, além da capacidade de financiamento de insumos por bancos e tradings. Quem antecipar compras com planejamento técnico e atenção ao fluxo de caixa tende a capturar melhores condições comerciais.
Fontes
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