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Etanol de milho muda rota do cereal e fortalece mercado interno

Expansão das usinas de etanol de milho transforma o milho de grão de exportação em insumo estratégico para energia, proteínas animais e renda do produtor.

21 de julho de 2026 4 min de leitura
Etanol de milho muda rota do cereal e fortalece mercado interno

A indústria de etanol de milho deixou de ser complementar à cana e passou a comandar uma mudança estrutural no uso do cereal no Brasil. Em poucos anos, o milho que era majoritariamente exportado passou a ser absorvido pelo mercado interno, puxado por usinas de etanol e pela cadeia de proteínas animais. O movimento aumenta a demanda, muda a formação de preços e abre nova frente de negócios para produtores, especialmente no Centro-Oeste.

O que aconteceu

O avanço rápido das usinas de etanol de milho está redesenhando o mapa de consumo do cereal no país. Em três anos, a participação das plantas de etanol no uso do milho quase dobrou: usinas absorviam cerca de 9% da produção nacional e devem chegar a 19% na safra 2024/25, segundo estimativa da S&P Global.[6]

Com isso, o milho deixa de ser grão principalmente exportador e passa a ter o mercado interno como motor de demanda, com destaque para a indústria de etanol e para as cadeias de frango e suínos.[3][8] As exportações, que recebiam em torno de 40% da safra há três anos, devem cair para 29%, indicando menor dependência do mercado externo.[6]

Ao mesmo tempo, a participação do milho na matriz de etanol brasileira cresce de forma consistente. O cereal já responde por cerca de 20% da produção nacional de etanol e, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), esse peso tende a aumentar com a expansão de novas biorrefinarias.[5][7][10]

Por que importa para o agro

Para o produtor, o etanol de milho cria demanda estável e próxima da fazenda, reduzindo a dependência de exportação e a exposição total à volatilidade do dólar e de Chicago. A maior competição pelo grão tem sustentado preços internos mesmo em cenário de safra elevada, garantindo margem em regiões com forte presença de usinas.[6][11]

O crescimento das plantas de etanol também altera a lógica de logística e comercialização. Regiões antes tratadas como “corredores de exportação” passam a operar como polos industriais, com contratos mais sofisticados, uso intensivo de milho de segunda safra e maior integração com produção de proteína animal, inclusive pelo uso de DDG/DDGS como insumo de ração.[3][4]

Dados e contexto

Nos últimos anos, o consumo interno de milho disparou, impulsionado pela expansão do etanol e da proteína animal. O uso doméstico subiu de cerca de 62 milhões de toneladas em 2018/19 para quase 90 milhões de toneladas em 2023/24, segundo a Agroconsult.[8]

A Conab projeta que a demanda interna de milho na safra 2024/25 alcance 89,3 milhões de toneladas, alta de 6,3% na comparação com a temporada anterior, com forte contribuição do etanol.[1] Mesmo com consumo firme, os estoques finais são estimados em 7,3 milhões de toneladas, aumento de mais de 250% sobre 2023/24, mostrando oferta robusta.[1]

O papel do milho na matriz de biocombustíveis também se fortalece:

IndicadorValor aproximado
Participação do milho no etanol 2022/23**15%**[5]

| Participação em 2024 | ~20%[10] | | Projeção para 2030–2035 | 20–30% do mercado de etanol[5][10] |

A Unem lista hoje mais de 20 usinas de etanol de milho em operação e dezenas de projetos em construção, com concentração no Centro-Oeste.[7][10] Há previsão de ao menos 20 novas biorrefinarias no país nos próximos anos.[7]

O que observar daqui pra frente

A consolidação do etanol de milho como segundo maior destino do grão no Brasil, atrás apenas das proteínas animais, tende a fixar um piso mais alto para a demanda interna.[4] O produtor deve acompanhar a expansão de usinas na sua região, os modelos de contrato de fornecimento, o avanço da demanda por DDG/DG na ração e a política de combustíveis do governo. Em cenários de safra cheia, o etanol pode continuar sendo o principal fator de sustentação dos preços; em períodos de quebra de produção ou alta forte de exportações, a disputa entre indústria, ração e exportadores deve se intensificar.

Fontes

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