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Etanol recua pela oitava semana e amplia pressão sobre usinas

Preços do etanol caem pela oitava semana seguida em São Paulo, segundo Cepea, reforçando margem apertada para usinas e desafio para a próxima safra.

19 de maio de 2026 4 min de leitura
Etanol recua pela oitava semana e amplia pressão sobre usinas

Os preços do etanol seguem em trajetória de queda no principal polo produtor do país. Segundo o Cepea/Esalq, o hidratado recuou pela oitava semana consecutiva no mercado paulista, reforçando a pressão sobre as margens das usinas e abrindo espaço para maior competitividade frente à gasolina nas bombas.

O que aconteceu

Levantamento do Cepea mostra desvalorização contínua do etanol hidratado negociado entre usinas e distribuidoras em São Paulo, maior referência de preços para o Centro-Sul. O anidro também registra movimento de baixa, ainda que em ritmo um pouco mais moderado.

A queda é explicada principalmente por maior oferta de produto, ajustes na demanda interna e cenário de gasolina ainda relativamente estável. Usinas, em fase final de safra em muitas regiões, seguem liquidando estoques, o que aumenta a disponibilidade e pressiona as cotações.

Do lado da demanda, a reação do consumo é gradual. Mesmo com o etanol mais barato, a decisão do motorista passa pela relação de paridade com a gasolina nas bombas, que ainda varia muito entre estados. Em alguns mercados, o biocombustível já volta a ficar mais competitivo; em outros, a vantagem ainda é limitada.

Por que importa para o agro

Para o setor sucroenergético, a sequência de quedas no etanol altera o equilíbrio entre açúcar e etanol na formação de preço da cana. Com o açúcar sustentado no mercado internacional e o etanol em baixa, cresce o incentivo para destinar mais cana ao açúcar na próxima safra, caso o cenário persista.

Produtores de cana podem sentir reflexo nas remunerações atreladas ao mix das usinas. Quando o etanol perde valor, sobra menos espaço para prêmios e acordos mais agressivos. Ao mesmo tempo, preços menores ajudam a sustentar o consumo, o que pode reduzir o risco de excesso de estoques ao fim da entressafra.

Dados e contexto

Pesquisas de Cepea, ANP e Unica indicam um quadro de oferta confortável no curto prazo:

  • O Centro-Sul responde por cerca de 90% da produção de etanol do Brasil, segundo a Unica.
  • Na safra 2024/25, a região produziu mais de 30 bilhões de litros de etanol, com avanço do hidratado.
  • A ANP monitora preços semanais nas bombas e mostra que o etanol é competitivo quando o valor é inferior a 70% do preço da gasolina.
  • O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol, atrás apenas dos Estados Unidos, conforme o USDA.
O comportamento atual dos preços também reflete a combinação de fatores macroeconômicos: câmbio, cotações internacionais do petróleo e decisões tributárias estaduais sobre ICMS nos combustíveis. Qualquer mudança nesse conjunto pode alterar rapidamente a atratividade do biocombustível frente à gasolina.

No campo, o produtor de cana precisa acompanhar o cenário para negociar contratos e definir estratégias de venda. Em estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, a renda tende a oscilar conforme o percentual da cana destinado ao etanol. Preços internacionais firmes do açúcar funcionam como amortecedor, mas não eliminam o risco de volatilidade.

O que observar daqui pra frente

Os próximos meses serão decisivos para o equilíbrio entre açúcar e etanol. O mercado deve acompanhar o ritmo de venda de estoques, a competitividade do etanol nas bombas conforme dados da ANP, possíveis mudanças tributárias e o comportamento do petróleo lá fora. Se a queda de preços aumentar o consumo interno e enxugar a oferta antes da nova safra, o setor pode entrar no próximo ciclo em posição mais confortável; se o consumo não reagir, a pressão sobre margens de usinas e produtores tende a continuar.

Fontes

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