EUA acusam Brasil de trabalho forçado na pecuária e anunciam tarifa adicional
Governo dos EUA aponta falhas no combate ao trabalho forçado e inclui o Brasil em proposta de tarifa extra de 12,5% sobre parte das exportações.

Os Estados Unidos incluíram o Brasil em uma lista de países que, segundo o governo americano, falharam no combate ao trabalho forçado na produção de mercadorias. No caso brasileiro, o foco recai sobre a cadeia da pecuária, em um movimento que pode ampliar a pressão comercial sobre o setor.
A proposta americana prevê tarifa adicional de 12,5% para o Brasil e outros países citados no relatório. O tema ainda passa por consulta pública, mas o sinal político aumenta o risco de custo extra e de desgaste reputacional para exportadores brasileiros.
O que aconteceu
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) divulgou uma investigação comercial que concluiu que 60 países falharam em combater e fiscalizar o uso de trabalho forçado na produção de mercadorias. O Brasil aparece entre os países citados, com menção específica a problemas na pecuária.[1][2]
Segundo as reportagens, o USTR propôs tarifa adicional de 12,5% para o Brasil e outros 53 países listados, enquanto outras seis economias receberiam taxação de 10%.[1][2]
A medida ainda não está em vigor. O processo segue em fase de consulta, com audiência pública marcada para 7 de julho. Além disso, o anúncio ocorreu um dia depois de outra proposta americana de tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras, o que reforça a tensão comercial entre os dois países.[2]
Por que importa para o agro
Para o agro, o impacto é direto na percepção de risco sobre a carne brasileira e sobre a rastreabilidade da cadeia. Mesmo sem efeito imediato, uma acusação desse tipo tende a aumentar a atenção de compradores, varejistas e importadores para controles trabalhistas e documentação de origem.[1][2]
No curto prazo, o setor pode enfrentar mais barreiras não tarifárias, custos de conformidade e pressão por auditorias. Se a discussão avançar, exportadores podem ter de provar com mais rigor que suas operações e fornecedores seguem regras trabalhistas e ambientais.
Dados e contexto
| Dado | Informação |
|---|---|
| Países citados | 60, incluindo o Brasil[1][2] |
| Tarifa proposta para o Brasil | 12,5% adicional[1][2] |
| Outras economias | 6 países com tarifa de 10%[2] |
| Próxima etapa | Audiência pública em 7 de julho[2] |
O caso ocorre no contexto da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, mecanismo usado para investigar práticas consideradas nocivas ao comércio americano.[1] A proposta ainda pode mudar até a decisão final.
O que observar daqui pra frente
O mercado deve acompanhar três pontos: a confirmação ou não das tarifas, a lista final de produtos afetados e eventual exclusão de itens sensíveis, como a carne bovina. Também vale observar se o governo brasileiro responderá com defesa técnica, revisão regulatória ou negociação diplomática.
Para o produtor e a indústria, a prioridade passa a ser reforçar rastreabilidade, controle de fornecedores e evidências de conformidade trabalhista. Quanto mais consistente for a documentação da cadeia, menor a exposição a questionamentos comerciais.
Fontes
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