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Exportações agroindustriais da Argentina para a UE crescem 21% após acordo

Vendas agroindustriais argentinas à União Europeia somaram US$ 1,92 bilhão nos quatro primeiros meses do acordo Mercosul-UE.

04 de outubro de 2026 4 min de leitura
Exportações agroindustriais da Argentina para a UE crescem 21% após acordo

As exportações agroindustriais da Argentina para a União Europeia somaram US$ 1,92 bilhão entre maio e agosto de 2026, os quatro primeiros meses de aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu. O valor ficou 21% acima da média registrada no mesmo período dos três anos anteriores. O resultado sinaliza aumento da competitividade argentina em um dos principais mercados consumidores do mundo.

O que aconteceu

Os dados foram divulgados pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca da Argentina. O período analisado começou em 1º de maio, quando o acordo Mercosul-UE passou a ser aplicado provisoriamente, após mais de 25 anos de negociações.

Quando considerados apenas os produtos diretamente beneficiados por reduções tarifárias, o avanço foi ainda maior: 44% sobre a média dos três anos anteriores. A abertura favoreceu setores com acesso ampliado ou condições comerciais mais competitivas no mercado europeu.

Entre os destaques, as exportações argentinas de produtos da pesca cresceram 93%. As vendas de cítricos avançaram 59%, enquanto os embarques de carne bovina aumentaram 50% no período. A União Europeia foi o segundo maior destino dos produtos agroindustriais argentinos em 2025, atrás da China.

Por que importa para o agro

O desempenho mostra como a redução de tarifas e a previsibilidade comercial podem acelerar negócios em cadeias exportadoras. Para produtores e empresas argentinas, o acordo amplia a possibilidade de acesso a compradores europeus e melhora as condições de competição com fornecedores de outras origens.

Para o Brasil, o resultado argentino aumenta a disputa dentro do próprio Mercosul. Carnes, frutas, pescados, grãos processados e outros produtos podem encontrar mais concorrência no mercado europeu. Ao mesmo tempo, o acordo cria uma referência comercial que pode estimular investimentos em qualidade, rastreabilidade, logística e certificações sanitárias em todo o bloco.

Dados e contexto

  • US$ 1,92 bilhão: exportações agroindustriais argentinas para a UE entre maio e agosto de 2026.
  • 21%: crescimento sobre a média do mesmo período dos três anos anteriores.
  • 44%: alta dos produtos beneficiados diretamente pelas reduções tarifárias.
  • 93%: avanço das exportações de produtos da pesca.
  • 59%: crescimento das vendas de cítricos.
  • 50%: aumento das exportações de carne bovina.
O acordo prevê a eliminação total de tarifas para cerca de 82% das exportações agrícolas do Mercosul para a União Europeia. Outros produtos terão redução parcial, cotas ou preferências tarifárias. O mercado integrado reúne mais de 700 milhões de pessoas, segundo a Comissão Europeia.

A União Europeia também deve ampliar suas vendas de alimentos e bebidas para os países do Mercosul. A Comissão Europeia estima aumento de 50% nas exportações agroalimentares europeias ao bloco sul-americano, o equivalente a cerca de 1,2 bilhão de euros adicionais.

O que observar daqui para frente

O ritmo de crescimento dependerá da implementação efetiva das preferências tarifárias, do cumprimento das exigências sanitárias e da capacidade logística dos exportadores. Também será necessário acompanhar cotas, regras de origem e possíveis barreiras ambientais. Para o agro brasileiro, a oportunidade está em ampliar produtos de maior valor agregado e acelerar investimentos em certificação e diferenciação.

Fontes

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