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Exportações brasileiras à União Europeia sobem 21% após acordo Mercosul-UE

Vendas de produtos brasileiros beneficiados pelo acordo Mercosul-UE cresceram 21% entre maio e setembro, com forte avanço em itens do agro.

31 de outubro de 2026 4 min de leitura
Exportações brasileiras à União Europeia sobem 21% após acordo Mercosul-UE

As exportações brasileiras de produtos beneficiados pelo acordo comercial entre Mercosul e União Europeia cresceram 21% entre maio e setembro, na comparação com o mesmo período de 2025. O avanço ocorreu nos cinco primeiros meses de aplicação provisória das preferências tarifárias e amplia as oportunidades para o agronegócio brasileiro no mercado europeu.

O que aconteceu

As preferências tarifárias começaram a valer em 1º de maio. Desde então, produtos brasileiros passaram a contar com redução ou eliminação de tarifas de importação em determinados segmentos. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Entre os produtos agropecuários com maior crescimento estão o abacate fresco, o mel e o óleo de milho. As vendas desses itens avançaram 421%, 367% e 266%, respectivamente, no período analisado.

Também houve aumento nas exportações de etanol, óleo essencial de laranja e maçã. O movimento inclui produtos da indústria, como alumínio, ferrossilício-manganês e óleos combustíveis, indicando que os efeitos iniciais do acordo não se limitam ao campo.

Por que importa para o agro

A redução tarifária melhora a competitividade dos produtos brasileiros diante de fornecedores de outros países. Para cadeias com oferta regular, qualidade padronizada e capacidade de atender às exigências europeias, o acordo pode abrir espaço para contratos maiores e maior diversificação de destinos.

O benefício, porém, não será igual para todas as atividades. O acesso europeu continua condicionado a padrões sanitários, ambientais, rastreabilidade e limites de volume em produtos sensíveis. A margem adicional gerada pela tarifa menor dependerá também de logística, câmbio e preços internacionais.

Para o produtor, a oportunidade tende a ser maior em cadeias de maior valor agregado, como frutas, mel, alimentos processados, café especial e derivados agrícolas. Cooperativas e empresas exportadoras terão papel relevante na consolidação de lotes, certificação e negociação com compradores europeus.

Dados e contexto

ProdutoAlta nas exportações entre maio e setembro de 2026
Abacate fresco421%
Mel367%
Óleo de milho266%
Etanol95,2%
Óleo essencial de laranja75,8%
Maçã29%

O acordo prevê redução gradual de tarifas e ampliação do acesso para produtos agrícolas, industriais e alimentos processados. Conforme documento divulgado sobre o tratado, 82% das exportações agrícolas do Mercosul terão impostos eliminados, enquanto produtos sensíveis estarão sujeitos a cotas específicas.

Entre os exemplos estão cotas para carne bovina, açúcar, etanol e arroz. O documento prevê 99 mil toneladas de carne bovina do Mercosul, 180 mil toneladas de açúcar refinado brasileiro e 60 mil toneladas de arroz com isenção tarifária, conforme as regras estabelecidas.

Os resultados de cinco meses ainda não permitem medir o impacto estrutural do acordo. Parte da alta pode refletir bases de comparação, recomposição de estoques e movimentos pontuais de oferta. O desempenho precisa ser acompanhado ao longo de mais safras e ciclos comerciais.

O que observar daqui para frente

O principal ponto será a capacidade do Brasil de transformar a preferência tarifária em vendas recorrentes. Exportadores devem acompanhar cotas, exigências sanitárias e rastreabilidade ambiental, além de custos logísticos e câmbio. Para o agro, o acordo oferece oportunidade de ampliar mercados, mas exige padronização, planejamento e regularidade no fornecimento.

Fontes

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