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Exportações de carne bovina batem recorde, mas dependência da China exige cautela

Brasil alcançou recorde nas exportações de carne bovina em 2025, enquanto concentração na China e barreiras comerciais mantêm os riscos no radar.

03 de outubro de 2026 4 min de leitura
Exportações de carne bovina batem recorde, mas dependência da China exige cautela

O Brasil encerrou 2025 com recorde nas exportações de carne bovina. Foram 3,50 milhões de toneladas embarcadas, alta de 20,9% sobre 2024, com receita de US$ 18,03 bilhões. O resultado mostra a força da pecuária brasileira no mercado global, mas também expõe a concentração das vendas em poucos destinos.

O que aconteceu

A análise de Miguel Daoud, exibida pelo Canal Rural, trata do avanço das exportações e dos desafios para a carne bovina brasileira no comércio internacional. O desempenho foi sustentado pelo aumento dos embarques, pela demanda externa e pela capacidade da indústria de ampliar a presença em diferentes mercados.

A carne bovina in natura respondeu pela maior parte do resultado. Em 2025, foram 3,09 milhões de toneladas exportadas, com faturamento de US$ 16,61 bilhões. O valor cresceu mais do que o volume, indicando melhora da receita média por tonelada e maior valorização do produto brasileiro.

A China permaneceu como principal destino. O país comprou cerca de 1,68 milhão de toneladas, equivalentes a 48% do volume total, e movimentou US$ 8,90 bilhões. Os Estados Unidos apareceram na sequência, com 271,8 mil toneladas e receita de US$ 1,64 bilhão.

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Por que importa para o agro

O mercado externo tem impacto direto sobre a formação de preços do boi gordo no Brasil. Quando os frigoríficos exportadores aumentam os embarques, cresce a disputa pela matéria-prima e melhora a capacidade de pagamento ao pecuarista, principalmente em regiões habilitadas para atender às exigências sanitárias internacionais.

O recorde também amplia a importância de investimentos em qualidade, rastreabilidade, regularidade de oferta e eficiência logística. Ao mesmo tempo, a forte participação chinesa aumenta o risco comercial. Mudanças em regras de importação, tarifas, estoques ou ritmo de consumo na China podem afetar rapidamente os preços e o fluxo de abates no país.

Dados e contexto

Os dados de 2025, compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) a partir de informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram a dimensão do avanço:

IndicadorResultado em 2025Variação anual
Exportação total3,50 milhões de toneladas+20,9%
Receita totalUS$ 18,03 bilhões+40,1%
Carne in natura3,09 milhões de toneladas+21,4%
China1,68 milhão de toneladas48% do total
Estados Unidos271,8 mil toneladasUS$ 1,64 bilhão

A diferença entre o crescimento do volume e o da receita reforça a melhora do valor exportado. No entanto, o resultado não elimina os riscos. A concentração em um grande comprador torna a diversificação de destinos uma estratégia necessária para reduzir a exposição a decisões comerciais externas.

A abertura de novos mercados, como México e outros países da Ásia, pode distribuir melhor a demanda. Para isso, o Brasil precisa manter o controle sanitário, cumprir protocolos específicos e evitar interrupções que prejudiquem a confiança dos compradores.

O que observar daqui para frente

O mercado deve acompanhar o ritmo das compras chinesas, a evolução das tarifas e o avanço da habilitação de novos frigoríficos. Para o produtor, os principais sinais serão a escala de abate, os prêmios pagos por animais destinados à exportação e a diferença entre a demanda externa e o consumo interno. A diversificação de mercados será decisiva para sustentar o crescimento sem ampliar excessivamente a dependência de um único comprador.

Fontes

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