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Exportações de suco de laranja fecham safra estáveis, mas receita desaba

Safra 2024/25 terminou com volume exportado próximo ao da anterior, mas receita caiu cerca de 30% com menor demanda e ajuste de preços.

07 de julho de 2026 4 min de leitura
Exportações de suco de laranja fecham safra estáveis, mas receita desaba

A safra 2024/25 de suco de laranja terminou com o volume exportado próximo ao da temporada anterior, mas a receita recuou cerca de 30%, refletindo menor demanda e preços mais ajustados nos principais mercados importadores. O movimento liga o sinal de alerta para a indústria e para o produtor, em um momento de recomposição de estoques e mudança no consumo global de suco.

O que aconteceu

Dados compilados por CitrusBR e entidades do setor mostram que, ao longo da safra 2024/25, o Brasil manteve sua posição como maior exportador mundial de suco de laranja, com embarques estáveis em toneladas na comparação anual.[3][4] A diferença esteve no faturamento: a queda de demanda em Europa e Ásia, somada a ajustes de preço, derrubou a receita em torno de 30% frente à safra anterior.[2][3]

Nos primeiros meses do novo ciclo 2025/26, a tendência de pressão continua. Entre julho e setembro, o país faturou US$ 713,6 milhões, recuo de 17,6% ante igual período da safra passada, com 189,2 mil toneladas exportadas, queda de 4,4%.[4] A Europa reduziu compras em volume e valor, enquanto os Estados Unidos ampliaram sua participação, compensando apenas parte da retração em outros mercados.[1][4]

Por que importa para o agro

Para o produtor de laranja, a combinação de exportações menos rentáveis e estoques em alta tende a pressionar preços pagos pela indústria, encurtando margens e exigindo mais eficiência de manejo.[6][7] Com a safra 2025/26 projetada maior, o risco é de oferta confortável de fruta e de suco, dificultando repasses de custo ao mercado.

Na cadeia industrial, a queda de receita com volume estável indica que o ciclo de preços recordes ficou para trás. Empresas exportadoras precisam ajustar contratos, mix de produtos e estratégia de mercado para um cenário de consumo mais moderado, sobretudo na Europa, onde o suco concorre com outras bebidas e enfrenta questões de saúde e tributação.[2][3][4]

Dados e contexto

  • Volume exportado de suco de laranja (FCOJ 66 Brix) nos seis primeiros meses da safra 2025/26: 394.764 t, queda de 8,1% vs. 429.407 t na 2024/25.[2]
  • Receita no período: US$ 1,44 bilhão, retração de 23,2% vs. US$ 1,88 bilhão em 2024.[2]
  • Participação dos EUA nas exportações no semestre: 55,2% do volume.[2]
  • Europa: 155.287 t, queda de 31,9% em relação à safra anterior.[2]
  • China: 10.426 t, recuo de 45,8%.[2]
  • Japão: 5.218 t, retração de 54,4%.[2]
  • Estoques de suco concentrado (FCOJ) ao fim de dezembro de 2025: 616,46 mil t, alta de 75,4% vs. 351,48 mil t em dezembro de 2024.[6]
  • Safra de laranja 2024/25 em SP e Triângulo/Sudoeste Mineiro: 228,52 milhões de caixas, a menor em quase 30 anos, com queda de 25,6% sobre 2023/24.[6]
  • Estimativa Fundecitrus para a safra 2025/26: 314,6 milhões de caixas, aumento de 36% vs. 2024/25.[7]
IndicadorVariação recente

| Volume exportado (jul–dez 25/26) | −8,1%[2] | | Receita exportações (jul–dez 25/26) | −23,2%[2] | | Estoques de FCOJ (dez/25) | +75,4%[6] |

O que observar daqui pra frente

O setor deve acompanhar de perto três pontos: evolução da demanda na Europa e Ásia, ritmo das compras dos Estados Unidos e impacto da safra maior sobre os estoques e preços ao produtor. Se o consumo não reagir, a combinação de oferta elevada, estoques altos e receita em queda pode manter o mercado pressionado, exigindo do citricultor maior controle de custos, planejamento de contratos e atenção às oportunidades de diversificação em derivados e novos mercados.

Fontes

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