Mercado

Governo descarta risco de falta de fertilizantes e diesel no campo

Ministério da Agricultura afirma que não há risco imediato de desabastecimento, mas dependência externa mantém o setor exposto a preços e logística.

23 de setembro de 2026 4 min de leitura
Governo descarta risco de falta de fertilizantes e diesel no campo

O governo afirma que não há risco de desabastecimento de fertilizantes e óleo diesel para a produção agrícola brasileira. A avaliação foi apresentada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, em meio às incertezas causadas por conflitos internacionais e possíveis mudanças nas rotas de comércio. A garantia reduz o temor de interrupções na safra, mas não elimina a pressão sobre preços e logística.

O que aconteceu

Segundo o ministro, o governo acompanha o fornecimento dos principais insumos usados no campo e negocia com mercados alternativos para preservar a regularidade das entregas. O monitoramento envolve fertilizantes, combustíveis e outros produtos essenciais à formação das lavouras.

A produção nacional deve responder por cerca de 35% do consumo de fertilizantes nitrogenados. No caso dos insumos agrícolas em geral, mais de 80% são importados, conforme dados divulgados pelo Ministério da Agricultura. Essa dependência deixa o país vulnerável a conflitos, sanções, restrições de exportação, variações cambiais e gargalos portuários.

O Ministério da Agricultura também informou que mantém diálogo com empresas, importadores e representantes do setor para avaliar alternativas de compra, transporte e distribuição. A estratégia busca evitar interrupções no abastecimento durante a preparação da safra de verão.

Imagem

Por que importa para o agro

A disponibilidade de fertilizantes influencia diretamente o planejamento do produtor, o potencial produtivo das lavouras e o custo por hectare. Mesmo sem falta física do produto, atrasos nas entregas ou altas nas cotações internacionais podem reduzir margens de soja, milho, algodão e outras culturas.

O diesel tem efeito semelhante. O combustível participa do preparo do solo, plantio, pulverização, colheita e transporte de grãos. Qualquer aumento relevante afeta toda a cadeia, do fornecedor de insumos ao frete e à armazenagem.

Para o produtor, a garantia oficial oferece maior previsibilidade no curto prazo. Ainda assim, decisões de compra precisam considerar prazo de entrega, câmbio, frete e disponibilidade regional, e não apenas a cotação do produto.

Dados e contexto

  • O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes utilizados na agricultura, segundo o Ministério da Agricultura.
  • A produção nacional deve cobrir aproximadamente 35% da demanda de nitrogenados.
  • O país está entre os maiores consumidores mundiais de fertilizantes e depende do comércio internacional para manter o abastecimento.
  • O Mapa monitora cadeias de suprimentos afetadas por conflitos e restrições comerciais.
  • A Conab disponibiliza informações sobre custos de produção, preços agropecuários e condições de mercado para diferentes culturas.
A dependência externa não representa, por si só, falta imediata. O risco aumenta quando há simultaneamente redução da oferta internacional, restrição às exportações, problemas logísticos e alta do dólar. Por isso, o acompanhamento precisa considerar estoque, origem do produto e tempo de reposição.

O que observar daqui para frente

O produtor deve acompanhar comunicados do Mapa, preços internacionais, câmbio, fretes e prazos de entrega nas regiões produtoras. Também é preciso verificar a disponibilidade de fertilizantes por cultura e estágio da lavoura. A abertura de novos fornecedores pode ampliar a segurança de abastecimento, mas mudanças rápidas no cenário geopolítico ainda podem elevar custos ou alongar o prazo de chegada dos produtos.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo