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Governo prevê fim temporário da suspensão de carnes brasileiras pela UE

Ministro Márcio Rosa afirma que o veto europeu às carnes brasileiras é temporário e que o governo trabalha para retomar as certificações.

08 de outubro de 2026 4 min de leitura
Governo prevê fim temporário da suspensão de carnes brasileiras pela UE

O governo brasileiro espera resolver em breve a suspensão das certificações para exportação de carnes à União Europeia. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, afirmou que a retração nas vendas deve ser temporária. A medida afeta carnes bovina, suína e de frango, além de ovos, mel, pescados e animais vivos.

O que aconteceu

A União Europeia suspendeu, em 3 de setembro, as certificações brasileiras para produtos de origem animal destinados ao bloco. A decisão está relacionada às exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos e impede a emissão de novos certificados para os embarques.

Segundo o ministro, o governo trabalha para superar o impasse com as autoridades europeias. A avaliação oficial é que a queda nas exportações será passageira e não deverá permanecer por tempo indeterminado.

A suspensão envolve os 27 países da UE e ocorre depois de um período de crescimento das vendas brasileiras. O Brasil agora precisa apresentar informações e demonstrar adequação aos requisitos sanitários exigidos pelo mercado europeu.

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Por que importa para o agro

A União Europeia é um mercado de alto valor para a carne brasileira. Embora represente uma parcela menor do volume total exportado, o bloco costuma pagar preços médios superiores aos de outros destinos, especialmente por produtos de maior padrão, como cortes bovinos e carnes rastreadas.

O impacto direto varia entre empresas, frigoríficos e estados. Plantas habilitadas para atender à UE podem precisar redirecionar cargas para outros mercados, pressionando preços e margens no curto prazo. Para produtores, o efeito depende da duração da suspensão e da capacidade da indústria de manter a demanda por animais.

Dados e contexto

Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,8 bilhão em carnes para a União Europeia, considerando produtos bovinos e de outras espécies. O bloco foi o segundo maior destino das exportações brasileiras de carne, atrás da China.

Na carne bovina, os embarques ao mercado europeu somaram aproximadamente 128,9 mil toneladas e receita de US$ 1,06 bilhão em 2025. No mesmo ano, o Brasil exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina e faturou US$ 18,03 bilhões no comércio internacional.

Entre janeiro e julho de 2026, as vendas brasileiras de carne bovina para a UE chegaram a 63,7 mil toneladas e US$ 562,2 milhões. O bloco representou 3,24% do volume exportado e 4,92% da receita do setor no período.

IndicadorResultado
Carnes exportadas à UE em 2025US$ 1,8 bilhão
Carne bovina exportada à UE em 2025128,9 mil toneladas
Receita com carne bovina em 2025US$ 1,06 bilhão
Carne bovina exportada pelo Brasil em 20253,5 milhões de toneladas

O Ministério da Agricultura e Pecuária informa que o Brasil exporta produtos de origem animal para mais de 150 países. Essa diversificação reduz a dependência de um único comprador, mas não elimina os efeitos comerciais de uma restrição em mercados premium.

O que observar daqui pra frente

O principal ponto será a resposta brasileira às exigências da União Europeia e o prazo para a retomada das certificações. Frigoríficos devem acompanhar a realocação dos embarques, enquanto produtores precisam observar possíveis mudanças na demanda por gado e nos preços pagos pela indústria. Uma solução rápida preserva o acesso ao mercado; uma suspensão prolongada pode aumentar a pressão sobre margens e logística.

Fontes

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