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Guerra não impulsiona etanol e Itaú BBA corta projeções da São Martinho

Itaú BBA rebaixa São Martinho de positiva para neutra, reduz projeções de receita, Ebitda e lucro até 2027 e vê menor potencial de alta para a ação.

13 de junho de 2026 4 min de leitura
Guerra não impulsiona etanol e Itaú BBA corta projeções da São Martinho

A ofensiva geopolítica recente não elevou os preços do etanol como parte do mercado esperava, e o Itaú BBA revisou para baixo suas estimativas para a São Martinho, uma das maiores usinas de açúcar e biocombustíveis do país.[1] O banco rebaixou a recomendação do papel de positiva para neutra, reduziu projeções de receita, Ebitda e lucro para 2026 e 2027 e baixou o preço-alvo para R\$ 21, limitando o potencial de valorização da ação.[1]

O que aconteceu

Em relatório a clientes, o Itaú BBA informou que a guerra não gerou o choque altista no etanol que poderia favorecer as usinas brasileiras, mantendo o mercado mais pressionado do que o previsto.[1] Com isso, o banco ajustou o cenário para o setor sucroenergético e, em especial, para a São Martinho, que vinha entre as principais apostas da casa.

A recomendação da companhia foi rebaixada de positiva para neutra, movimento normalmente interpretado como sinal de que o espaço de ganho na bolsa ficou mais limitado no curto e médio prazo.[1] O novo relatório revisa para baixo as projeções de receita, Ebitda e lucro para os anos-safra de 2026 e 2027, acompanhando uma visão mais cautelosa para margens.

No documento, os analistas Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuiama indicam um potencial de alta de pouco mais de 26%, ao fixar R\$ 21 como novo preço-alvo para a ação da São Martinho.[1] Antes, o banco trabalhava com expectativa maior de valorização, sustentada por perspectivas mais otimistas para o etanol e para o mix de produção da companhia.

Por que importa para o agro

A São Martinho é referência em escala, eficiência industrial e gestão no setor sucroenergético, com impacto direto em oferta de açúcar, etanol e bioenergia. Quando um banco de grande porte como o Itaú BBA revisa projeções e reduz recomendação, o movimento tende a afetar a percepção de risco e retorno de todo o segmento, não apenas de uma empresa.[1]

Para produtores de cana e fornecedores da cadeia, um cenário de margens mais apertadas no etanol pode levar as usinas a ajustar contratos, reduzir investimentos ou priorizar o açúcar, especialmente em um contexto de preços internacionais mais firmes para a commodity. Isso influencia decisões de plantio, mix industrial e estratégias de comercialização ao longo da safra.

Dados e contexto

O relatório aponta que o conflito geopolítico recente não se traduziu em prêmio consistente para o etanol, ao contrário do que ocorreu em outros momentos de choque de energia, limitando o ganho potencial das usinas focadas em biocombustíveis.[1] Sem essa alavanca, o Itaú BBA revisou o quadro financeiro da São Martinho.

Entre os principais pontos da revisão estão:

  • Recomendação: de positiva para neutra.[1]
  • Preço-alvo: R\$ 21 por ação.[1]
  • Potencial de alta estimado: pouco acima de 26%.[1]
  • Projeções cortadas: receita, Ebitda e lucro para 2026 e 2027.[1]
O setor sucroenergético brasileiro é altamente sensível à relação entre preços de açúcar e etanol e à política de combustíveis no país. A Conab estima que o Brasil siga entre os maiores produtores globais de cana, açúcar e etanol, com o Centro-Sul concentrando a maior parte da moagem, o que torna decisões de grandes grupos como a São Martinho relevantes para todo o mercado.

A incerteza sobre demanda de combustíveis, ritmo de eletrificação da frota, competitividade da gasolina frente ao etanol hidratado e volatilidade do açúcar na bolsa de Nova York segue no radar de analistas, influenciando revisões de bancos e casas de pesquisa.

O que observar daqui pra frente

O mercado deve acompanhar o mix de produção da São Martinho entre açúcar e etanol, a evolução dos preços internacionais do açúcar e a política de combustíveis no Brasil, especialmente a paridade com a gasolina. Mudanças no cenário geopolítico, na demanda global de energia e em decisões regulatórias podem reverter parte do pessimismo ou aprofundar o ajuste de margens, afetando investimentos, contratos com fornecedores e apetite de bancos e fundos pelo setor sucroenergético.

Fontes

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