Guerra no Irã eleva incerteza no Fed e pressiona inflação global
Dirigente do Fed alerta que conflito com Irã limita previsões sobre juros e pode elevar preços de energia, impactando exportações do agro brasileiro.

Neel Kashkari, presidente do Federal Reserve de Minneapolis, afirmou que a guerra entre EUA, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, limita a capacidade do Fed de sinalizar cortes de juros. O conflito fechou o Estreito de Ormuz, afetando 20% do suprimento global de petróleo, e eleva riscos de inflação nos EUA. Isso pode alterar a política monetária americana.
O que aconteceu
Kashkari dissidiu da nota do Fed que indicava corte de juros provável. Ele vê inflação pré-conflito em 2,5% a 3% e agora avalia aumento de taxas se o conflito persistir. Em entrevistas à Bloomberg e CBS, destacou a necessidade de monitorar magnitude e duração do choque.
O Fed manteve juros em 3,5% a 3,75% na última reunião. Antes da guerra, Kashkari previa reduções; agora, foca em preços de energia disparados pelo bloqueio no Ormuz.
Por que importa para o agro
Preços altos de petróleo encarecem diesel e insumos como fertilizantes, elevando custos de produção para sojicultores e pecuaristas. No Brasil, transportadoras de grãos já reportam reajustes de fretes em 10-15%.
Exportações de commodities como soja e milho para a China podem sofrer com dólar forte e recessão nos EUA. Produtores enfrentam margens menores se o real se desvalorizar mais pela inflação importada.
Dados e contexto
| Indicador | Pré-guerra | Atual (estimado) |
|---|---|---|
| Inflação EUA | 2,5-3% | Acima da meta de 2% |
| Juros Fed | Esperado corte | Estável 3,5-3,75% |
| Petróleo global | US$ 80/barril | Disparada pós-fev/26 |
Conab projeta safra 2025/26 em 300 mi t de grãos, mas USDA alerta para riscos em cadeias energéticas. Embrapa estima custo extra de R$ 20/bag soja com diesel alto.
O que observar daqui pra frente
Monitore duração do cessar-fogo frágil no Oriente Médio e preços do petróleo. Se Ormuz reabrir, alívio nos custos; persistência da guerra pode forçar BC brasileiro a elevar Selic, apertando crédito rural. Oportunidade em hedges de commodities para fixar receitas.
Fontes
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