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Indústria de fertilizantes quer subsídio ao enxofre para segurar custo

Setor negocia com governo subsídio ao enxofre para evitar paralisação de fábricas de fosfatados e alta forte no custo dos fertilizantes ao produtor.

25 de junho de 2026 4 min de leitura
Indústria de fertilizantes quer subsídio ao enxofre para segurar custo

A indústria brasileira de fertilizantes abriu negociação com o governo federal para criar um subsídio ao enxofre, insumo crítico na produção de fosfatados. O objetivo é conter a explosão de preços da matéria-prima e evitar o fechamento de fábricas, o que poderia pressionar o custo dos adubos e afetar diretamente a safra 2026/27.[1]

O que aconteceu

O preço do enxofre saltou de cerca de US$ 100 por tonelada antes da guerra para ofertas em até US$ 1.200 por tonelada à indústria brasileira, segundo relato ao AgFeed.[1] Essa alta torna economicamente inviável manter a produção de fertilizantes fosfatados em várias unidades do país.

Diante do risco de desabastecimento, o governo instalou uma espécie de gabinete de crise para discutir medidas emergenciais para o setor de fertilizantes.[1] Entre as propostas apresentadas pela indústria à Casa Civil está a criação de um mecanismo de apoio financeiro específico às fabricantes que compram enxofre para produzir fosfatados.

Uma das ideias em discussão é redirecionar recursos de contribuições setoriais hoje destinadas a outras finalidades para um fundo de apoio à produção nacional de fertilizantes fosfatados.[1] Essa realocação buscaria aliviar a pressão de custos sem ampliar diretamente a carga tributária sobre o produtor.

Por que importa para o agro

Fertilizantes fosfatados são pilares da adubação de culturas como soja, milho, café, algodão e cana. Se a produção nacional encolher por falta de enxofre competitivo, o Brasil dependerá ainda mais de importações, abrindo espaço para volatilidade de preços e risco de atraso na entrega.

Com o enxofre em patamar de até 12 vezes o preço pré-guerra[1], o custo final dos fertilizantes pode subir em cascata. Esse movimento tende a pressionar o custo por hectare, reduzir margem do produtor e dificultar a montagem de pacotes tecnológicos adequados, especialmente para pequenos e médios.

Dados e contexto

  • Enxofre é insumo-chave na produção de fertilizantes fosfatados e de parte dos nitrogenados.[4]
  • Globalmente, o mercado de enxofre gira em torno de US$ 6,4 bilhões em 2025, com crescimento moderado até 2034.[6]
  • O mercado de fertilizantes à base de enxofre deve atingir cerca de US$ 4,49 bilhões em 2024, com expansão anual próxima de 4,7% até 2029.[3]
  • A Índia lançou, em 2024, um programa nacional com subsídio de 40% para fertilizantes com enxofre, mostrando que apoio público a esse insumo já é realidade em grandes players agrícolas.[2]
Além do papel industrial, o enxofre é nutriente relevante na lavoura. Ele interage positivamente com nitrogênio e fósforo, melhora o desenvolvimento das culturas e ajuda no controle de pragas, doenças e estresses abióticos como frio e seca.[4]
FatorSituação atual no Brasil

| Preço do enxofre | De ~US$ 100 para até US$ 1.200/t[1] | | Risco para fosfatados | Produção nacional pode se tornar inviável em algumas plantas[1] | | Resposta do governo | Gabinete de crise e estudo de fundo de apoio à indústria[1] |

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar de perto a negociação entre indústria e governo. Se o subsídio ao enxofre ou o fundo de apoio avançarem, parte da pressão de custos pode ser contida para a safra 2026/27; se não saírem, o mercado de fosfatados pode encarar nova rodada de alta e maior dependência de importações, exigindo planejamento antecipado de compras, diversificação de fontes e ajustes finos na adubação.

Fontes

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