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Inflação reduz demanda por roupas e pressiona cadeia do algodão

Alta da inflação tende a atingir primeiro o consumo de roupas, afetando a indústria têxtil e a demanda por algodão.

11 de outubro de 2026 3 min de leitura
Inflação reduz demanda por roupas e pressiona cadeia do algodão

A inflação tende a atingir primeiro o consumo de produtos considerados não essenciais, como roupas. O alerta foi feito por Alex Kurre, diretor de algodão da ADM, durante o Congresso do Algodão 2026. O cenário pode reduzir a demanda da indústria têxtil e aumentar a pressão sobre preços e margens em toda a cadeia.

O que aconteceu

Segundo Kurre, quando os preços sobem, as famílias priorizam alimentos, serviços básicos e outras despesas recorrentes. A compra de vestuário fica para depois. A avaliação considera o impacto de uma inflação impulsionada pela alta do petróleo, que pode elevar custos de transporte, energia e insumos.

O efeito chega ao algodão por meio da indústria. Com menor consumo de roupas, fabricantes podem reduzir pedidos de fios e tecidos. A menor utilização das fábricas também afeta a formação de preços e limita a capacidade de repasse de custos ao consumidor.

A preocupação não está apenas no varejo. A indústria têxtil enfrenta custos elevados em diferentes etapas, enquanto produtores e tradings precisam administrar estoques, exportações e oscilações nas cotações internacionais da fibra.

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Por que importa para o agro

O algodão é uma cultura diretamente ligada ao desempenho da cadeia têxtil. Uma desaceleração no consumo interno pode reduzir a procura por pluma, especialmente em um mercado com oferta elevada. Para o produtor, isso aumenta o risco de preços menos remuneradores e de maior necessidade de armazenagem ou comercialização escalonada.

A produção brasileira segue em nível recorde. A Conab estima 4,14 milhões de toneladas de algodão em pluma na safra 2025/26. O volume supera em 1,5% o ciclo anterior, apesar da redução da área cultivada. Com mais oferta e possível enfraquecimento da demanda doméstica, as exportações ganham importância para o equilíbrio do mercado.

Dados e contexto

  • A Conab estima 2,02 milhões de hectares cultivados com algodão na safra 2025/26, queda de 3,2% em relação ao ciclo anterior.
  • A produtividade projetada é de 2.053 quilos de pluma por hectare, alta de 4,9% e recorde da série histórica.
  • A produção prevista, de 4,14 milhões de toneladas, é a maior já estimada pela Conab para o algodão brasileiro.
  • A Conab também projeta produção nacional de 361,7 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26.
O aumento da produtividade compensou a menor área plantada e ampliou a disponibilidade de fibra. Esse resultado fortalece a posição brasileira no comércio internacional, mas também exige atenção à demanda, aos estoques e à capacidade de escoamento.

Para a indústria, inflação e juros elevados reduzem o poder de compra e encarecem o capital de giro. Para o campo, custos de produção, câmbio, frete e preços internacionais continuam determinando a margem final da atividade.

O que observar daqui para frente

Produtores e empresas devem acompanhar consumo de vestuário, inflação, juros, câmbio e ritmo das exportações. Contratos antecipados, gestão de estoque e diversificação de mercados podem reduzir a exposição à demanda doméstica. A evolução dos preços do petróleo também será relevante, porque afeta custos industriais e logísticos e pode prolongar a pressão sobre o setor têxtil.

Fontes

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