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Itamaraty entra em campo para evitar apagão de fertilizantes

Itamaraty faz varredura global atrás de fertilizantes após alerta da indústria sobre risco de desabastecimento de fosfatados para a próxima safra.

21 de junho de 2026 4 min de leitura
Itamaraty entra em campo para evitar apagão de fertilizantes

A crise no mercado de fertilizantes levou o Itamaraty a iniciar uma varredura emergencial no exterior em busca de fornecedores para o Brasil. A medida atende a pedido do setor, que vê risco real de desabastecimento de fosfatados ainda nesta safra, com potencial de afetar produtividade e custo de produção em cadeias-chave como soja, milho, café e cana.

O que aconteceu

Entidades da indústria de fertilizantes acionaram o Ministério das Relações Exteriores após constatarem dificuldade crescente para fechar contratos de fosfatados com entregas ainda neste ano. A avaliação é que boa parte da oferta internacional já está comprometida e que os prazos logísticos ficaram mais longos, pressionando o calendário de plantio.[1][4]

Com o alerta, o Itamaraty começou a contatar embaixadas e parceiros comerciais em vários continentes para mapear fornecedores alternativos e destravar negociações. A orientação é priorizar volumes adicionais de fosfatados e, quando possível, ampliar o acesso a nitrogenados e potássicos, reduzindo o risco de quebra do pacote de adubação.[1][4]

Segundo a indústria, o movimento tem caráter emergencial e não substitui políticas estruturais para reduzir a dependência externa, mas é visto como essencial para garantir o mínimo de segurança de oferta na próxima safra.

Por que importa para o agro

O Brasil depende fortemente de fertilizantes importados. Em fosfatados, de um consumo estimado em 9,75 milhões de toneladas neste ano, 6,45 milhões devem vir de fora, o que deixa o agronegócio exposto a choques de oferta e preço no mercado global.[1][4] Qualquer falha na entrega pode levar a redução de doses, atraso na adubação e, no limite, perda de produtividade.

Para o produtor, isso se traduz em maior incerteza na hora de fechar barter, travar custos e definir tecnologia de manejo. Se a busca do Itamaraty não tiver sucesso em ampliar a oferta, o resultado provável é fertilizante mais caro e menos disponível, com impacto direto na margem de grãos, fibras e pecuária intensiva.

Dados e contexto

O Brasil está entre os maiores consumidores de fertilizantes do mundo e tem forte dependência externa, especialmente em fosfatados, nitrogenados e potássicos.[7]

Indicador chaveSituação atual aproximada
Consumo de fosfatados em 2026**9,75 milhões t** previstos[1][4]
Parcela importada de fosfatados**6,45 milhões t** (cerca de 66%)[1][4]
Participação esperada de novas fábricas de nitrogenados da Petrobras na demanda nacional até 2028**35% da demanda de ureia**[6]

A dependência externa expõe o produtor a câmbio, frete internacional, gargalos logísticos e conflitos geopolíticos.[7] Crises recentes mostraram como interrupções em poucos players globais rapidamente se convertem em falta de produto e disparada de preços na porteira.

Projetos de retomada da produção interna de nitrogenados e de ampliação da oferta de fosfatados e potássicos no país avançam, mas ainda levarão anos para reduzir de forma consistente a vulnerabilidade. Até lá, medidas diplomáticas como a varredura do Itamaraty funcionam como um “colchão” emergencial para garantir o suprimento mínimo.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem acompanhar de perto o resultado da articulação do Itamaraty e a reação dos preços no curto prazo. Se a varredura global garantir volumes adicionais, o mercado pode evitar um choque mais forte de custos; se falhar, a recomendação tende a ser antecipar compras, intensificar planejamento de adubação, buscar eficiência no uso de nutrientes e diversificar fornecedores sempre que possível.

Fontes

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