Joesley Batista, Trump e a nova janela para a carne bovina do Brasil
Encontro entre Joesley Batista e Donald Trump abre espaço para mais carne bovina brasileira nos EUA e mexe com preços, exportações e disputa política.

O bilionário Joesley Batista, um dos donos da JBS, se reuniu com o presidente Donald Trump para defender a redução de tarifas sobre a carne bovina brasileira em meio à disparada dos preços nos Estados Unidos. A negociação ocorre em um momento de pressão política interna sobre Trump e pode abrir espaço para um aumento relevante das exportações do Brasil, afetando frigoríficos, pecuaristas e toda a cadeia da carne.
O que aconteceu
Segundo reportagem citada pela imprensa internacional, Joesley se encontrou com Trump em 20 de agosto para argumentar que mais carne bovina do Brasil ajudaria a segurar a alta dos preços nos EUA, desde que o governo reduzisse ou aliviasse tarifas sobre o produto.
Na sequência, Trump anunciou uma medida temporária ampliando a cota de importação de carne bovina para produção de carne moída, com imposto menor, por 90 dias. A Casa Branca falou em até 300 mil toneladas adicionais liberadas dentro da cota, especificamente para atender o mercado de hambúrguer e carne moída.
O movimento ocorre em meio a uma grande investigação sobre o setor de carnes nos EUA e críticas de assessores de Trump ao suposto “cartel” das Quatro Grandes processadoras, grupo que inclui a JBS nos Estados Unidos. Apesar da pressão política, o presidente manteve canal direto com Joesley e passou a usar a importação como instrumento para tentar baixar preços.
Por que importa para o agro
Para o Brasil, a abertura de uma cota extra com tarifa reduzida significa mais espaço imediato para a carne bovina em um dos mercados mais valiosos do mundo. Frigoríficos com habilitação sanitária para exportar aos EUA podem antecipar vendas e redirecionar parte da produção para atender essa demanda de curto prazo.
Na ponta do produtor, a sinalização de maior escoamento externo tende a sustentar preços internos do boi gordo e da carne, especialmente em estados exportadores. Ao mesmo tempo, a medida pode intensificar a disputa com pecuaristas norte‑americanos, que veem o avanço da carne importada como ameaça direta à rentabilidade e pressionam por proteção adicional.
Dados e contexto
A JBS é hoje a maior processadora de proteína animal do mundo e controla cerca de 25% do mercado de carne bovina nos EUA, com mais de 70 mil empregados naquele país.
Nos Estados Unidos, as chamadas Big Four do setor de carne bovina concentram aproximadamente 85% do processamento, o que vem sendo alvo de investigação por suspeitas de práticas anticompetitivas.
No Brasil, dados da Embrapa e da Conab indicam que o país se consolidou como um dos maiores exportadores globais de carne bovina, com produção anual próxima a 10 milhões de toneladas equivalentes carcaça, sendo mais de 25% destinada ao mercado externo.
A recente medida de Trump prevê, por 90 dias, até 300 mil toneladas de carne bovina para carne moída com imposto menor. Para o Brasil, o impacto vai depender da fatia dessa cota efetivamente ocupada por exportadores brasileiros e da capacidade de atender exigências sanitárias e de rastreabilidade exigidas pelo USDA.
| Indicador | Estimativa / situação atual |
|---|---|
| Participação do Brasil nas exportações globais de carne bovina | ~25% |
| Mercado de carne bovina dos EUA controlado pelas Big Four | ~85% | | Participação da JBS no mercado de carne bovina dos EUA | ~25% | | Cota extra de carne bovina liberada por Trump | até 300 mil t em 90 dias |
O que observar daqui pra frente
Produtores e indústrias brasileiras devem acompanhar três pontos: a ocupação efetiva da cota extra pelos frigoríficos nacionais, a reação política dos pecuaristas dos EUA à entrada maior de carne importada e a evolução das investigações sobre concentração no setor de carnes. Se o canal político entre Joesley e Trump se mantiver ativo e os resultados em preços forem positivos, o Brasil pode consolidar uma presença maior e mais estável no mercado americano, mas sob escrutínio maior em temas como concorrência e sustentabilidade.
Fontes
- G1 - Economia e Agronegócios
- G1 - Trump amplia cota de importação de carne bovina
- Reuters - Joesley Batista negociou redução de tarifas da carne com Trump
- g1.globo.com
- g1.globo.com
- g1.globo.com
- g1.globo.com
- g1.globo.com
- gazetadopovo.com.br
- g1.globo.com
- noticias.r7.com
- g1.globo.com
- g1.globo.com
- g1.globo.com
- theguardian.com
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