JPMorgan vê escalada tarifária como maior risco entre Brasil e EUA
JPMorgan aponta risco de escalada tarifária entre Brasil e EUA após medidas contra o aço brasileiro, com impacto direto em exportações e confiança do investidor.

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos entrou em zona de alerta após a decisão americana de elevar tarifas sobre o aço brasileiro. Para o JPMorgan, o maior risco agora é uma escalada tarifária entre os dois países, com potencial de atingir outros setores, afetar o ambiente de negócios e contaminar fluxos de investimento e comércio, incluindo o agronegócio.
O que aconteceu
O governo dos Estados Unidos anunciou aumento de tarifas sobre o aço importado do Brasil, dentro de um pacote mais amplo de medidas voltadas à proteção da indústria americana. A decisão reacendeu o debate sobre protecionismo e disparou sinais de cautela em relação ao futuro da parceria econômica bilateral.
Em relatório, o JPMorgan avalia que o principal risco não é a tarifa isolada, mas um possível efeito dominó de retaliações e contrarretaliações, que poderia envolver setores hoje estratégicos no comércio Brasil-EUA. O banco destaca que o histórico de atritos comerciais recentes, somado ao ambiente global mais protecionista, aumenta a probabilidade de choques adicionais.
Segundo a análise, a incerteza sobre o rumo da política comercial americana tende a pesar na percepção de risco do investidor estrangeiro em relação ao Brasil. Isso pode afetar decisões de longo prazo em setores intensivos em exportação, como indústria e agronegócio, que dependem de previsibilidade regulatória e acesso estável a mercados.
Por que importa para o agro
Brasil e Estados Unidos são grandes competidores e, ao mesmo tempo, parceiros importantes no agronegócio global. Uma escalada tarifária pode gerar efeitos indiretos sobre o agro brasileiro, seja via impacto no câmbio, no custo de insumos industriais ligados à cadeia agrícola ou em negociações futuras envolvendo produtos rurais.
Se o tom da disputa subir, o Brasil pode ser levado a endurecer posição em outras frentes comerciais, o que reabre discussões sobre acesso a mercados para soja, carne, etanol, açúcar e outros produtos. Mesmo que o alvo inicial seja o aço, o clima de tensão comercial costuma aumentar a volatilidade de preços e dificultar planejamento de investimento no campo.
Dados e contexto
- Os Estados Unidos figuram entre os principais destinos de produtos industriais brasileiros, incluindo aço, e também são mercado relevante para alguns itens agroindustriais.
- O Brasil é hoje um dos maiores exportadores mundiais de soja, carne bovina, milho, açúcar e café, com forte presença em China, União Europeia e EUA, conforme dados de Embrapa e MAPA.
- Em 2023, o agronegócio respondeu por cerca de 24% do PIB brasileiro e mais de 50% das exportações, segundo estimativas amplamente divulgadas pelo MAPA e pela Conab.
- A experiência recente de disputas comerciais, como a guerra tarifária entre EUA e China, mostrou como medidas contra um setor podem se espalhar rapidamente para outros, alterando fluxos globais de grãos, carnes e insumos.
| Indicador-chave | Relevância para o agro brasileiro |
|---|---|
| Participação do agro nas exportações | >50% das vendas externas do Brasil |
| Principais destinos do agro | China, UE, EUA, Oriente Médio | | Sensibilidade a barreiras | Alta, em tarifas e barreiras sanitárias |
Num cenário de maior protecionismo, países exportadores como o Brasil tendem a enfrentar mais barreiras tarifárias e não tarifárias (sanitárias, ambientais, técnicas). Isso exige coordenação entre governo e setor privado para defender acesso a mercados e evitar que conflitos em setores industriais respinguem no agro.
O que observar daqui pra frente
Produtores, cooperativas e indústrias devem acompanhar a evolução das negociações entre Brasil e Estados Unidos e o tom da diplomacia comercial dos dois lados. Sinais de ampliação das tarifas para outros produtos, mudanças em exigências regulatórias ou alinhamentos em fóruns multilaterais podem indicar novos riscos ou oportunidades, como redirecionamento de fluxos de exportação, renegociação de contratos e revisão de estratégias de mercado de médio prazo.
Fontes
Continue lendo

EUA reduzem vendas semanais de milho da safra 2025/26 para 315 mil t
USDA aponta queda nas vendas externas de milho 2025/26 dos EUA para 315 mil toneladas em uma semana, sinalizando menor ritmo de demanda no curto prazo.

Cepea: suíno vivo integrado supera independente em julho
Em julho, remuneração do suíno vivo integrado ficou acima do mercado independente, segundo Cepea, acendendo alerta para produtores sobre margem e modelo de negócio.

Demanda aquecida mantém soja valorizada no Brasil e em Chicago
Procura forte e oferta limitada seguram preços da soja no Brasil, mesmo com dólar mais fraco, apoiados pela alta em Chicago e prêmios firmes.