Juros caem com pesquisa eleitoral e alívio externo
Mercado ajusta juros futuros após pesquisa eleitoral e fala sobre regra fiscal, com reflexo direto no câmbio, na renda fixa e no custo do crédito.
Os juros futuros fecharam em baixa após a combinação de melhora no apetite ao risco no exterior e nova leitura do cenário eleitoral no Brasil. O movimento interessa ao agro porque mexe com o custo do crédito, com a taxa de financiamento e com a formação de preços em toda a cadeia.
A queda refletiu também a discussão sobre política fiscal, que segue no centro das atenções do mercado. Para o produtor, isso importa porque afeta o dólar, a Selic e o custo de capital usado para custeio, investimento e travamento de preços.
O que aconteceu
Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) recuaram ao longo da curva. O DI para janeiro de 2027 ficou em 13,805%, ante 13,795% no ajuste anterior, enquanto o vencimento para janeiro de 2029 caiu de 14,096% para 13,980%.[1]No mercado doméstico, a pesquisa BTG/Nexus mostrou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno. No levantamento, Flávio apareceu com 45% e Lula com 46%.[1]
Outro ponto que mexeu com os ativos foi a fala de Flávio Bolsonaro sobre uma eventual regra fiscal com gatilho para corte de despesas quando a dívida/PIB atingisse certo patamar. A sinalização reforçou a leitura de que a disputa eleitoral pode alterar a condução da política econômica a partir de 2027.[1]
Por que importa para o agro
Juros mais baixos na curva tendem a reduzir a pressão sobre financiamentos e alongar prazos de captação. Isso é relevante para cooperativas, tradings, indústrias de insumos e produtores que dependem de capital de giro e crédito de investimento.A leitura fiscal também pesa sobre o câmbio. Se o mercado entende que haverá mais risco fiscal à frente, o dólar pode subir e encarecer fertilizantes, defensivos, máquinas e outros itens importados. Quando a curva de juros alivia, o efeito pode ser o oposto, ainda que de forma temporária.
Dados e contexto
| Indicador | Valor |
|---|---|
| DI jan/2027 | **13,805%** |
| DI jan/2029 | **13,980%** |
| Probabilidade de corte de 25 pontos-base pelo Copom | **98%** |
| Selic projetada para o fim de 2026 | **13,75%** |
O mercado também passou a precificar quase certeza de corte de 25 pontos-base na próxima reunião do Copom, segundo a leitura dos DIs.[1] Para o fim de 2026, a curva indicava Selic em 13,75%.[1]
Em um país em que a taxa básica ainda está em patamar elevado, qualquer mudança na expectativa de juros afeta diretamente o custo do crédito rural e o ritmo de investimento no campo. A formação de preços de soja, milho, boi e café também reage à oscilação do dólar e da renda fixa.
O que observar daqui pra frente
O foco agora é a combinação entre pesquisa eleitoral, discursos sobre fiscal e próximos sinais do Banco Central. Se a percepção de risco fiscal aumentar, a curva de juros pode voltar a subir e pressionar o câmbio. Se prevalecer a leitura de alívio, o mercado pode sustentar custo financeiro menor por mais tempo, o que ajuda planejamento de safra, renegociação e compra de insumos.Fontes
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