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Justiça de MT decreta falência do Grupo Pupin após década de crise

Falência do grupo do ex 'rei do algodão' encerra recuperação judicial de 10 anos e reposiciona ativos bilionários no mercado agrícola de Mato Grosso.

27 de junho de 2026 4 min de leitura
Justiça de MT decreta falência do Grupo Pupin após década de crise

A Justiça de Mato Grosso converteu em falência a recuperação judicial do Grupo Pupin, que já foi um dos maiores produtores de algodão do Brasil e estava em RJ há cerca de 10 anos, com passivo que pode chegar a R$ 5,9 bilhões.[4][3] A decisão encerra uma novela que envolveu dezenas de fazendas, centenas de credores e suspeitas de irregularidades, com impacto direto na oferta de fibra e na imagem de grandes grupos do agro.[4][6]

O que aconteceu

O Grupo Pupin, comandado por José Pupin, entrou em recuperação judicial em 2016–2017, em meio a dificuldades operacionais, financeiras e de mercado.[4][1] O plano foi homologado, mas a empresa interrompeu suas operações agrícolas em 2019, mantendo ativos penhorados e sem geração de caixa relevante.[4]

Em assembleia realizada em dezembro, o Comitê de Credores aprovou por unanimidade a convolação da recuperação judicial em falência, apontando insolvência e inviabilidade econômica do grupo.[3][4] O estudo técnico apresentado mostrou que, mesmo com deságios, o plano não foi cumprido e que a continuidade da RJ apenas postergaria o pagamento aos credores.[3][4]

O relatório indica um passivo em torno de R$ 3,5 bilhões, com 318 credores, e possibilidade de o total chegar a R$ 5,9 bilhões caso os deságios sejam revertidos com a falência.[4][5] Agora, o processo segue sob responsabilidade da Vara Cível de Campo Verde (MT) para liquidação dos ativos e definição da ordem de pagamento.[3][6]

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Por que importa para o agro

O Grupo Pupin chegou a controlar mais de 110 mil hectares em Mato Grosso e foi referência na produção de algodão em larga escala.[4][7] Sua saída definitiva do jogo reorganiza a oferta regional de fibra, abre espaço para outros grupos assumirem áreas e contratos e muda o poder de barganha em insumos, armazenagem e logística.

A falência também funciona como alerta para empresas altamente alavancadas em culturas de commodity. O caso expõe o risco de expansão rápida baseada em crédito, sem gestão robusta de caixa, governança e transparência com credores. A decisão pode endurecer políticas de concessão de crédito por bancos e fornecedores ao segmento de grandes grupos agrícolas.[6][1]

Dados e contexto

IndicadorSituação aproximada
Início da recuperação judicial2016–2017[4][1]
Homologação do plano2017[4]
Interrupção das operações do grupodesde 2019[4]
Hectares controlados no augemais de **110 mil ha** em MT[7]
Passivo estimado atual~**R$ 3,5 bilhões**[4][5]
Passivo potencial com reversão de deságiosaté **R$ 5,9 bilhões**[4]
Número de credores318 credores[4][5]
Aprovação da falência em assembleia100% dos créditos votantes, com 3 abstenções e nenhuma rejeição[3]

Ao longo da RJ, o grupo enfrentou investigações sobre movimentações financeiras atípicas e acusações de desvios, o que agravou a desconfiança de mercado.[6][10] A Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso também passou a pedir a falência com base em dívidas fiscais e descumprimento de programas de regularização como o Refis.[1] Paralelamente, empresas fornecedoras do agro ingressaram com pedidos de falência, citando dívidas próximas de R$ 2 bilhões e incapacidade de gestão por problemas de saúde do casal Pupin.[2][8][9]

O estudo técnico levado aos credores aponta que uma liquidação ordenada poderia gerar cerca de R$ 2,89 bilhões em valor de mercado dos ativos, suficiente para pagar integralmente os credores extraconcursais e trabalhistas e mais de 80% dos credores com garantia real.[4] Parte dos credores quirografários, porém, deve enfrentar grande deságio ou mesmo ausência de recebimento.[4]

O que observar daqui pra frente

Produtores, tradings e fornecedores devem acompanhar de perto o plano de venda das fazendas e ativos do Grupo Pupin, já que a redistribuição de terras e estruturas pode criar oportunidades de expansão para empresas capitalizadas.[4] Ao mesmo tempo, o caso tende a influenciar bancos, cooperativas e indústrias na revisão de limites de crédito, exigência de garantias reais e critérios de governança. Na prática, quem conseguir mostrar gestão sólida, transparência e capacidade de cumprir planos terá vantagem competitiva num ambiente mais seletivo para financiamento.

Fontes

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