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Licenciamento ambiental pode elevar custo do arroz em Santa Catarina

Entidades do setor temem que a retomada do licenciamento ambiental aumente despesas e burocracia para produtores de arroz em Santa Catarina.

17 de outubro de 2026 4 min de leitura
Licenciamento ambiental pode elevar custo do arroz em Santa Catarina

Entidades agropecuárias de Santa Catarina alertam que a retomada da exigência de licenciamento ambiental para o cultivo de arroz pode aumentar custos, burocracia e insegurança jurídica. A medida afeta uma cadeia formada principalmente por pequenos produtores e ocorre em um momento de pressão sobre margens e planejamento das safras.

O que aconteceu

A discussão envolve a dispensa de licenciamento para atividades relacionadas à rizicultura irrigada, como o cultivo por inundação e o uso de canais de irrigação. Uma liminar solicitada pelo Ministério Público de Santa Catarina suspendeu provisoriamente essa dispensa e restabeleceu a exigência para parte das propriedades.

O tema seria analisado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) no dia 21. A decisão pode definir se a licença ambiental voltará a ser exigida de forma mais ampla ou se permanecerá a regra de dispensa em determinadas situações, incluindo exceções para pequenas propriedades consolidadas.

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Por que importa para o agro

Organizações como a Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura e entidades industriais do arroz afirmam que a atividade já segue controles ambientais específicos.

Entre os instrumentos citados estão o Cadastro Ambiental Rural (CAR), a outorga para uso da água e o receituário agronômico. Para o setor, uma licença geral pode sobrepor procedimentos existentes e exigir novos estudos, documentos, taxas e adequações técnicas.

O impacto tende a ser maior para produtores de menor escala. Além da despesa direta, a exigência pode ampliar o tempo de regularização, dificultar o acesso ao crédito rural e comprometer decisões sobre área plantada, irrigação e contratação de serviços.

Dados e contexto

A rizicultura catarinense está inserida em um mercado nacional de grande escala e consumo relativamente estável. Segundo a Embrapa, o consumo doméstico brasileiro gira em torno de 10,5 milhões de toneladas de arroz em casca por ano.

IndicadorDado ou efeito esperado
Consumo nacionalCerca de 10,5 milhões de toneladas por ano
Safra brasileira 2024/25Aproximadamente 12,3 milhões de toneladas, segundo a Conab
Principal preocupação do setorAumento de custos e da burocracia
Produtores mais expostosPequenos agricultores e propriedades familiares
Instrumentos já utilizadosCAR, outorga de água e receituário agronômico

A Conab projetou crescimento de 16,5% na produção brasileira na safra 2024/25, estimada em 12,3 milhões de toneladas. O resultado reforça a relevância da atividade, mas não elimina a pressão por eficiência: qualquer custo adicional pode reduzir a competitividade do produtor e ser repassado à indústria ou ao consumidor.

As entidades defendem que eventual licenciamento seja baseado em critérios técnicos, proporcionalidade e segurança jurídica. Também pedem comprovação de que a medida produzirá ganhos ambientais superiores aos controles já existentes.

O que observar daqui para frente

A decisão do TJSC deve indicar o alcance da exigência e os prazos para adequação das propriedades. Produtores precisam acompanhar orientações dos órgãos ambientais, revisar documentos de uso da água e manter o CAR atualizado. Para o setor, o principal risco é a combinação de custos adicionais, demora na regularização e incerteza para contratar crédito e planejar a próxima safra.

Fontes

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