Sustentabilidade

Licenciamento do arroz irrigado em SC vira disputa judicial

TJSC analisa ação que pode restabelecer o licenciamento ambiental para o arroz irrigado e elevar custos para produtores catarinenses.

31 de outubro de 2026 4 min de leitura
Licenciamento do arroz irrigado em SC vira disputa judicial

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) analisa uma ação que pode restabelecer a exigência de licenciamento ambiental para o cultivo de arroz irrigado no estado. A medida opõe o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) às entidades do setor produtivo e pode afetar cerca de 6 mil propriedades rurais.

O que aconteceu

A disputa começou após mudanças na Resolução nº 250/2024 do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). A norma retirou, inicialmente, o cultivo de arroz irrigado por inundação e os canais de irrigação da lista de atividades sujeitas ao licenciamento ambiental.

O MPSC questionou a alteração na Justiça. Para o órgão, a dispensa contraria regras ambientais federais e estaduais e reduz o controle sobre atividades com potencial de impacto no solo e nos recursos hídricos.

Uma decisão liminar suspendeu provisoriamente a dispensa para irrigação por inundação e canais de irrigação. Pequenas propriedades consolidadas ficaram fora da medida. O julgamento da ação no TJSC foi interrompido após pedido de vista, e ainda não há decisão definitiva.

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Por que importa para o agro

Para os produtores, a volta do licenciamento pode significar mais custos, exigências documentais e prazo para regularizar as áreas antes do plantio. Entidades do agronegócio catarinense afirmam que a burocracia pode comprometer a competitividade da cultura e pressionar o preço do arroz.

O setor também argumenta que a atividade já está submetida a mecanismos de controle, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), a outorga de uso da água e o receituário agronômico. Na avaliação das entidades, esses instrumentos permitem fiscalização sem exigir um processo anual de licenciamento para todas as propriedades.

O MPSC sustenta posição oposta. A alegação é que a irrigação por inundação utiliza intensivamente recursos naturais e pode gerar impactos que justificam análise ambiental prévia e específica.

Dados e contexto

  • Santa Catarina é o segundo maior produtor nacional de arroz, atrás do Rio Grande do Sul, segundo informações reunidas por entidades do setor.
  • A Embrapa estima que Santa Catarina cultive cerca de 146 mil hectares de arroz irrigado.
  • Na região subtropical, formada principalmente por Rio Grande do Sul e Santa Catarina, são cultivados aproximadamente 1,3 milhão de hectares de arroz irrigado por ano.
  • A produção irrigada representa cerca de 90,3% da produção brasileira de arroz, conforme dados da Embrapa referentes ao ano agrícola de 2018.
  • A produtividade média da cultura na região subtropical supera 8 mil quilos por hectare, de acordo com a Embrapa.
A decisão terá impacto direto sobre a gestão ambiental das lavouras, mas também poderá influenciar custos de produção, planejamento de safra e investimentos em estruturas de irrigação. O caso ainda pode gerar novas discussões sobre a divisão de competências entre normas estaduais e legislação federal.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar o julgamento do TJSC e manter atualizados documentos ambientais, outorgas de água, registros no CAR e autorizações já emitidas. O principal risco é a retomada de exigências durante o calendário agrícola, com aumento de custos e atrasos operacionais. Para a cadeia, a oportunidade está em estabelecer um modelo de controle ambiental proporcional ao tamanho da propriedade e ao risco efetivo da atividade.

Fontes

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