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Lula sanciona MP do Frete e endurece regras de transporte de cargas

Nova lei reforça piso mínimo do frete, amplia fiscalização da ANTT e pode elevar custos logísticos do agronegócio.

06 de agosto de 2026 5 min de leitura
Lula sanciona MP do Frete e endurece regras de transporte de cargas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a chamada MP do Frete, que reforça a política de piso mínimo para o transporte rodoviário de cargas, amplia os poderes de fiscalização da ANTT e endurece punições para empresas que pagarem fretes abaixo da tabela oficial[3][4][7]. A medida é resposta direta à pressão dos caminhoneiros e reacende a preocupação do agronegócio com possível alta dos custos logísticos[3][5].

O que aconteceu

A lei originada da MP nº 1.343/2026 consolida novas regras para o frete rodoviário, com foco no cumprimento obrigatório do piso mínimo e na transparência das operações[3][6][7]. A tabela de frete da ANTT permanece como referência, mas passa a ter caráter vinculante: quem contratar abaixo do piso fica sujeito a sanções mais duras[3][4][7].

A MP amplia os poderes da Agência Nacional de Transportes Terrestres para fiscalizar e punir descumprimentos da tabela, incluindo intermediadores e plataformas digitais que ofereçam fretes fora das regras[4][6][7]. O texto também define metodologia para cálculo do frete mínimo, levando em conta distância percorrida, tipo de veículo, número de eixos, natureza da carga e preço dos combustíveis[4][5][7].

Entre as mudanças, está o escalonamento de penalidades para contratantes que desrespeitarem o piso: multa que pode chegar a R$ 1 milhão por operação, suspensão cautelar do registro no RNTRC e até cancelamento da autorização para atuar no setor em casos graves ou de reincidência[6][7]. A responsabilização pode alcançar sócios e grupos econômicos, por meio da desconsideração da personalidade jurídica[6].

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Por que importa para o agro

O transporte rodoviário é dominante na logística agrícola brasileira, especialmente para grãos, carnes e insumos. Ao tornar o piso mínimo de frete mais rígido e fiscalizado, a MP tende a elevar o custo da cadeia logística, pressionando margens de produtores, cooperativas e tradings[3][5][7]. Em um cenário de volatilidade do diesel e pedágios elevados, o impacto pode ser significativo nas regiões longe dos portos e grandes centros consumidores[4][5][7].

Por outro lado, a medida reduz a prática de fretes abaixo do custo operacional, o que pode trazer maior previsibilidade de preços e menor risco de paralisações de caminhoneiros em períodos críticos de colheita e escoamento[3][4][6]. Para o agro, o desafio será renegociar contratos, ajustar planejamento de safra e logística e buscar ganhos de eficiência para compensar o frete mais caro.

Dados e contexto

A MP foi publicada em março, em meio à alta dos combustíveis e à pressão da categoria dos caminhoneiros por remuneração compatível com os custos de operação, como diesel, pedágio, manutenção e seguros[4][6][7]. O governo estruturou a norma para reforçar a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, já calculada pela ANTT[4][7].

Segundo o Ministério dos Transportes, a medida prevê multas entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões por operação para empresas que descumprirem o piso, além de suspensão de 5 a 30 dias e cancelamento definitivo do registro em caso de reincidência grave[6][7]. Transportadores autônomos (TAC) ficam fora das suspensões, mas permanecem protegidos pelo piso mínimo[6].

A tabela de frete da ANTT passa a ser atualizada com mais rapidez, sempre que houver variações relevantes no preço do diesel, reduzindo a defasagem entre aumento de custos e valores mínimos pagos ao transportador[4][5][7]. Em entrevistas, o governo destaca que a atualização ocorrerá quando o combustível variar 5% ou mais, ajustando automaticamente a base de cálculo[5].

Ponto centralO que muda
Piso mínimo do freteDe referência, passa a ser obrigatório e com sanções em caso de descumprimento[3][7]
FiscalizaçãoANTT ganha mais poderes, com controle automático das operações e uso obrigatório de CIOT[4][5][6]
PenalidadesMultas elevadas, suspensão e cancelamento de registros para contratantes reincidentes[6][7]
Atualização da tabelaTabela passa a refletir com mais agilidade variações do diesel e custos operacionais[4][5][7]

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e tradings precisam acompanhar de perto as novas resoluções da ANTT e a dinâmica de atualização da tabela de frete, especialmente em períodos de alta do diesel[4][5][6]. A tendência é de maior formalização dos contratos, uso intensivo de CIOT e menor espaço para negociação abaixo do piso, o que exige planejamento logístico antecipado, revisão de rotas, maior integração com modais alternativos e foco em eficiência operacional para reduzir o impacto do frete na competitividade do agro brasileiro.

Fontes

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