Menor oferta global melhora perspectiva para o algodão brasileiro
Produção mundial menor, estoques reduzidos e demanda firme sustentam os preços e ampliam a visibilidade para o produtor brasileiro.
A menor produção mundial de algodão, a redução dos estoques e a demanda ainda resiliente deram suporte às cotações internacionais em setembro. O cenário melhora a perspectiva de comercialização para produtores brasileiros, apesar da pressão sazonal causada pelo avanço da colheita.
O que aconteceu
A atualização de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a estimativa de produção mundial de algodão da safra 2026/27 para 25,54 milhões de toneladas. Os estoques finais também foram revisados para baixo, para 15,21 milhões de toneladas.
O balanço global mais apertado ajudou a sustentar os preços no último mês. Segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, o consumo mundial continua em trajetória de crescimento, enquanto a oferta perde força em importantes regiões produtoras.
No Brasil, a valorização externa compensou parte da pressão provocada pela entrada da nova safra. Em Rondonópolis (MT), principal referência nacional para a comercialização da pluma, o algodão foi negociado a uma média de R$ 3,94 por libra-peso em agosto, alta de 3,9% em relação a julho.
Por que importa para o agro
Preços mais firmes melhoram a receita potencial do cotonicultor e ajudam a reduzir o impacto dos custos elevados de produção. A sustentação também favorece o planejamento de vendas, especialmente para produtores que ainda mantêm parte da safra em estoque.
A demanda externa e o ritmo das exportações seguem como pontos de apoio para o mercado doméstico. O Brasil permanece entre os principais fornecedores globais, o que amplia a exposição do produtor às cotações internacionais, ao câmbio e ao frete.
Dados e contexto
| Indicador | Informação |
|---|---|
| Produção mundial 2026/27 | 25,54 milhões de toneladas |
| Estoques finais globais | 15,21 milhões de toneladas |
| Preço médio em Rondonópolis em agosto | R$ 3,94 por libra-peso |
| Variação mensal do preço | Alta de 3,9% |
| Produção brasileira projetada pelo USDA | 18,5 milhões de fardos |
O USDA estima que a produção brasileira de 2026/27 recue 1%, para 18,5 milhões de fardos. A queda deve ocorrer pela redução da área colhida, parcialmente compensada pelo avanço da produtividade, projetada em 2.014 quilos por hectare, recorde nacional.
A Conab trabalha com uma projeção diferente e estima área semeada de até 2,09 milhões de hectares e produção de 4,2 milhões de toneladas de pluma. As diferenças refletem metodologias, calendários de atualização e premissas distintas entre os levantamentos.
O que observar daqui para frente
A definição da área de algodão dependerá do andamento do plantio da soja, dos custos de produção e das condições climáticas. Produtores devem acompanhar câmbio, contratos de exportação, demanda da indústria têxtil e evolução dos estoques globais antes de decidir novas vendas ou ampliar a área no próximo ciclo.
Fontes
- Globo Rural — Menor oferta de algodão traz melhor perspectiva para produtor no Brasil
- USDA — Cotton and Wool Outlook, setembro de 2026
- Conab — Projeção da safra de grãos 2026/27
- ers.usda.gov
- ers.usda.gov
- ers.usda.gov
- apps.fas.usda.gov
- apps.fas.usda.gov
- usda.gov
- oglobo.globo.com
- ers.usda.gov
- ers.usda.gov
- fas.usda.gov
- fas.usda.gov
- cast.conab.gov.br
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