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China abre mercado para miúdos suínos do Brasil

Protocolo sanitário amplia as exportações brasileiras de miúdos suínos para a China, com potencial de gerar mais de US$ 100 milhões por ano.

28 de setembro de 2026 3 min de leitura
China abre mercado para miúdos suínos do Brasil

O Brasil poderá ampliar as vendas de miúdos suínos para a China após a assinatura de um novo protocolo sanitário bilateral. A medida inclui vísceras e coprodutos que ainda tinham acesso limitado ao mercado chinês. A estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) é de embarques superiores a 100 mil toneladas por ano, com receita adicional acima de US$ 100 milhões para a cadeia produtiva.

O que aconteceu

O protocolo foi assinado em 26 de setembro pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao. O acordo atualiza as exigências sanitárias e amplia a lista de produtos autorizados para exportação.

Entre os itens incluídos estão fígado, coração, rins, estômago, diafragma, ossos, pele, cartilagem, banha suína não refinada, línguas, focinho, orelhas, cauda e pés. Também podem ser exportados músculo suíno congelado, com ou sem osso, e gordura.

A autorização ocorre sem cota de importação, segundo as informações divulgadas sobre o acordo. Para vender à China, os frigoríficos ainda precisam cumprir os requisitos sanitários e obter habilitação oficial para exportação.

Por que importa para o agro

A abertura cria uma alternativa comercial para produtos que têm menor valor em alguns mercados. Com acesso a um comprador de grande escala, a indústria pode melhorar o aproveitamento da carcaça e elevar a receita por animal abatido.

O efeito também pode alcançar produtores, cooperativas, transportadoras e empresas de processamento. Uma demanda externa mais diversificada tende a reduzir a dependência de poucos destinos e pode aumentar a competição pela matéria-prima, embora o impacto sobre os preços dependa do ritmo de habilitação dos frigoríficos e da demanda chinesa.

Dados e contexto

  • Potencial de embarques: mais de 100 mil toneladas de miúdos suínos por ano.
  • Receita estimada: acima de US$ 100 milhões anuais.
  • Principal destino: China, um dos maiores mercados consumidores de proteína animal.
  • Produtos autorizados: vísceras, pés, orelhas, pele, gordura, banha, ossos e outros coprodutos.
  • Exigência brasileira: estabelecimento registrado no Serviço de Inspeção Federal (SIF) e habilitado pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O protocolo amplia o comércio de produtos suínos além dos cortes tradicionais. Na prática, a medida aproxima a pauta brasileira do perfil de consumo chinês, que inclui diferentes partes do animal e valoriza miúdos e coprodutos.

O que observar daqui pra frente

O próximo passo será acompanhar a habilitação dos frigoríficos e a aplicação dos controles sanitários exigidos pelos dois países. A oportunidade depende de logística, certificação, regularidade dos embarques e negociação comercial. Também será necessário observar se o aumento da oferta exportável sustentará o valor estimado de US$ 100 milhões ou se a concorrência entre fornecedores pressionará os preços.

Fontes

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