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Trump e Xi colocam comércio global de soja no radar

Possíveis mudanças na relação entre Estados Unidos e China podem alterar fluxos de soja e ampliar oportunidades para o Brasil.

27 de setembro de 2026 4 min de leitura
Trump e Xi colocam comércio global de soja no radar

A relação entre Donald Trump e Xi Jinping volta a influenciar o mercado mundial de soja. Mudanças nas compras chinesas, nas tarifas e nos acordos entre Estados Unidos e China podem alterar os fluxos comerciais, os preços internacionais e a disputa pela maior demanda do planeta.

O que aconteceu

A China é o principal comprador mundial de soja e concentra parte relevante de suas importações nos Estados Unidos e no Brasil. Por isso, qualquer avanço ou retrocesso nas negociações entre Washington e Pequim afeta diretamente as cotações e as decisões de venda dos produtores.

O mercado acompanha a possibilidade de novos compromissos comerciais entre os dois países. Um acordo que amplie as compras chinesas de soja norte-americana reduziria a participação do Brasil em determinados períodos. Já a manutenção de tensões comerciais poderia favorecer os embarques brasileiros, principalmente durante a janela de exportação da safra nacional.

A disputa não envolve apenas volume. Tarifas, câmbio, fretes, estoques e margens de esmagamento também influenciam a escolha dos compradores. A China utiliza a soja principalmente na produção de farelo e óleo, o que mantém a demanda estrutural elevada.

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Por que importa para o agro

Para o produtor brasileiro, uma maior concentração das compras chinesas no Brasil tende a sustentar a demanda e melhorar a liquidez nos portos. O efeito sobre os preços, porém, depende da combinação entre Chicago, prêmio de exportação, dólar e custo logístico.

Se os Estados Unidos recuperarem espaço no mercado chinês, o Brasil poderá enfrentar mais concorrência nos meses de maior oferta. Nesse cenário, armazenagem, planejamento de comercialização e acompanhamento dos prêmios regionais ganham importância para evitar vendas concentradas em momentos de pressão.

Dados e contexto

A Conab estima produção brasileira de 180,4 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, alta de 5,2% sobre o ciclo anterior. As exportações estão projetadas em 116,2 milhões de toneladas, segundo o levantamento de setembro de 2026.

IndicadorProjeção ou dado
Produção brasileira de soja em 2025/26180,4 milhões de toneladas
Exportações brasileiras em 2025/26116,2 milhões de toneladas
Importações chinesas projetadas pelo USDA para 2026/27114 milhões de toneladas
Produção brasileira projetada pelo USDA para 2026/27186 milhões de toneladas

O USDA projeta que o Brasil responda por cerca de 62% do comércio global de soja em 2026/27, com exportações estimadas em 117,5 milhões de toneladas. A participação reforça a dependência do país em relação ao mercado externo e, especialmente, à demanda chinesa.

A China também busca diversificar fornecedores para reduzir riscos comerciais. Essa estratégia mantém o Brasil em posição competitiva, mas não elimina a necessidade de acompanhar a política agrícola e comercial dos Estados Unidos.

O que observar daqui para frente

Os principais sinais serão novos anúncios de Trump e Xi, tarifas sobre produtos agrícolas, compromissos de compra chineses e evolução dos embarques norte-americanos. No Brasil, produtores devem acompanhar os prêmios nos portos, o câmbio e o ritmo das exportações antes de definir novas vendas. Uma eventual reaproximação entre Washington e Pequim pode redistribuir rapidamente a demanda, enquanto novas tensões tendem a abrir espaço para o produto brasileiro.

Fontes

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