China abre mercado para miúdos suínos do Brasil
Protocolo sanitário amplia o acesso brasileiro ao mercado chinês e pode gerar mais de US$ 100 milhões em receitas para a suinocultura.

Brasil e China assinaram um protocolo sanitário que autoriza a exportação ampliada de miúdos suínos brasileiros ao mercado chinês. O acordo inclui produtos como fígado, rins, estômago, coração, diafragma, cartilagem, pele e banha. A medida abre uma nova frente de receita para frigoríficos e produtores.
O que aconteceu
O protocolo foi formalizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela autoridade diplomática chinesa. A autorização permite que empresas brasileiras habilitadas solicitem a extensão do escopo de seus registros para incluir os miúdos destinados à China.
A operação será realizada sem cota específica de importação. Ao todo, 16 plantas brasileiras estão autorizadas a embarcar os produtos: sete em Santa Catarina, oito no Rio Grande do Sul e uma em Mato Grosso.
A abertura resulta de negociações técnicas entre o Mapa e a Administração-Geral das Alfândegas da China. O entendimento também considera o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal.
Por que importa para o agro
O mercado chinês tem forte demanda por miúdos, que fazem parte da culinária local e podem alcançar maior valor comercial do que em outros destinos. A autorização permite aproveitar partes do animal que, em alguns mercados, têm menor liquidez ou são destinadas a produtos de menor valor agregado.
Para a indústria, a medida amplia o faturamento por carcaça e melhora o aproveitamento industrial. Para a cadeia produtiva, pode estimular novos contratos, aumentar a previsibilidade dos embarques e reduzir a dependência de poucos destinos para a carne suína brasileira.
Dados e contexto
- O mercado chinês de miúdos suínos movimenta mais de US$ 2,5 bilhões por ano, segundo estimativas divulgadas no anúncio do acordo.
- A abertura pode gerar mais de US$ 100 milhões em receitas adicionais para frigoríficos brasileiros.
- Estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam potencial de exportação superior a 100 mil toneladas anuais de miúdos para a China.
- A Conab projeta exportações brasileiras de carne suína próximas de 1,58 milhão de toneladas em 2026, alta de 6,1% sobre 2025.
- Os principais itens autorizados incluem fígado, rins, estômago, coração, esôfago, diafragma, cartilagens, peles e banha.
O que observar daqui para frente
O próximo passo será a extensão das habilitações das empresas e a execução dos primeiros embarques. O setor deve acompanhar a aprovação dos certificados sanitários, os requisitos de rastreabilidade e a logística. Também será necessário avaliar preços, regularidade da demanda e eventuais mudanças nas regras chinesas para transformar a autorização em fluxo comercial permanente.
Fontes
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