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Operações do ICE reduzem abates e pressionam mercado de carne bovina nos EUA

Ações migratórias reduziram o ritmo dos frigoríficos americanos, atrasaram o envio de bovinos e ampliaram o risco de alta nos preços da carne.

27 de setembro de 2026 4 min de leitura
Operações do ICE reduzem abates e pressionam mercado de carne bovina nos EUA

Operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, reduziram o ritmo de trabalho em frigoríficos e atrasaram o envio de milhares de bovinos para processamento. O impacto ocorre em um mercado já pressionado pelo menor rebanho americano em cerca de 75 anos e por preços recordes da carne.

O que aconteceu

Trabalhadores de frigoríficos, muitos deles imigrantes, faltaram aos turnos por medo de abordagens e prisões. Entidades do setor relataram interrupções em unidades de Kansas, Oklahoma e Texas, regiões importantes para o processamento de carne bovina nos Estados Unidos.

A redução da mão de obra afetou o recebimento e o abate de animais. Segundo dados diários do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o abate de bovinos sob inspeção federal caiu de aproximadamente 105 mil cabeças na segunda-feira, 21 de setembro, para 100 mil na terça, 94 mil na quarta e 90 mil na quinta-feira.

A queda deixou animais aguardando transporte ou processamento, elevando custos para confinadores e produtores. Associações de pecuaristas afirmaram que os atrasos já provocaram perdas de receita e podem reduzir a oferta de carne no curto prazo.

Por que importa para o agro

A menor capacidade dos frigoríficos altera o equilíbrio entre pecuaristas, processadores e varejistas. Com menos animais abatidos, confinadores podem enfrentar aumento do tempo de permanência do gado, maior consumo de ração e risco de perda de peso ou qualidade das carcaças.

Para os frigoríficos, a interrupção reduz o uso das plantas e pode elevar o custo por animal processado. No varejo, uma oferta menor tende a pressionar os preços, principalmente porque a demanda continua forte e o rebanho americano está no menor nível em décadas.

O efeito sobre o Brasil é indireto. Uma carne americana mais cara pode abrir espaço para exportadores concorrentes, mas também aumentar a volatilidade das cotações internacionais e alterar o fluxo de compras de grandes importadores.

Dados e contexto

  • O abate diário estimado caiu de 105 mil para 90 mil cabeças entre 21 e 24 de setembro.
  • O processamento de quinta-feira ficou cerca de 16% abaixo do registrado uma semana antes, segundo dados do USDA compilados por veículos especializados.
  • Até quinta-feira, o abate semanal somava aproximadamente 389 mil bovinos, contra 420 mil na semana anterior.
  • O rebanho bovino dos Estados Unidos está no menor patamar em aproximadamente 75 anos.
  • O USDA acompanha os volumes de abate por meio dos relatórios de Livestock Slaughter, usados pelo mercado para avaliar a oferta de carne e a demanda por animais.
As entidades Kansas Livestock Association, Oklahoma Cattlemen’s Association e Texas Cattle Feeders Association alertaram que as operações migratórias provocaram efeito de paralisação entre trabalhadores documentados e qualificados. O governo americano, por outro lado, afirmou que o ICE não realizava operações em locais de trabalho no Kansas, criando divergência entre os relatos do setor e a posição oficial.

O que observar daqui para frente

O mercado deve acompanhar a regularização dos turnos nos frigoríficos, o ritmo de transporte dos animais e os próximos relatórios de abate do USDA. Se os atrasos persistirem, podem aumentar os custos dos confinamentos e os preços da carne ao consumidor; se a operação for normalizada rapidamente, parte do impacto poderá ser limitada a perdas logísticas de curto prazo.

Fontes

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