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Miguel Daoud alerta para trio de risco ao agro: Europa, Trump e crédito caro

Analista aponta que pressão europeia, possível volta de Trump e juros altos formam combinação perigosa para a renda do produtor brasileiro.

13 de junho de 2026 4 min de leitura
Miguel Daoud alerta para trio de risco ao agro: Europa, Trump e crédito caro

Miguel Daoud avalia que o agronegócio brasileiro entrou em uma fase de maior vulnerabilidade, pressionado por três frentes: novas exigências ambientais e sanitárias da Europa, a possibilidade de retorno de Donald Trump à Casa Branca com agenda protecionista e o custo elevado do crédito rural no Brasil. O analista vê risco direto à competitividade das exportações e à renda do produtor.

O que aconteceu

Em comentário recente, Daoud afirmou que o agro brasileiro perdeu parte da "rede de proteção" construída em anos de bonança, enquanto o cenário externo ficou mais hostil.[2] Para ele, o país segue como potência exportadora, mas com menos fôlego fiscal, juros altos e maior exposição a choques internacionais.[2]

O analista aponta que a Europa vem aumentando barreiras regulatórias ligadas a rastreabilidade, desmatamento e padrões ambientais, o que tende a encarecer e travar negócios de soja, carne e outros produtos. Em paralelo, a eventual volta de Trump traria risco de novas tarifas e medidas protecionistas sobre países emergentes, inclusive o Brasil, num ambiente global já marcado por disputas comerciais.[1][3]

No front interno, Daoud destaca que o crédito ficou mais caro e seletivo, reduzindo a capacidade de investimento de produtores médios e pequenos. Sem apoio robusto do Tesouro e com bancos mais cautelosos, a liquidez no campo diminui, elevando o risco de quebra em ciclos de preços baixos.[2]

Por que importa para o agro

Para o produtor, o combo Europa–Trump–crédito caro significa margens mais apertadas, maior volatilidade e menos espaço para erro. Exigências adicionais dos importadores podem exigir investimentos em tecnologia, certificações e adequação ambiental, ao mesmo tempo em que o financiamento fica mais restrito.

No mercado, a percepção de risco pode afetar câmbio, prêmios de exportação e planejamento de safras. Em um setor em que o Brasil responde por cerca de 50% das exportações globais de soja e mais de 20% da carne bovina mundial, qualquer mudança em acesso a mercados-chave e custo financeiro tem impacto imediato na formação de preços internos.[2]

Dados e contexto

  • O agro respondeu por cerca de 23% do PIB brasileiro em 2023, somando cadeia primária e industrial, segundo estimativas do Cepea/Esalq e CNA.
  • A União Europeia é um dos principais destinos de carnes e produtos de maior valor agregado do Brasil; mudanças em regras de desmatamento e rastreabilidade afetam diretamente esses embarques.
  • O Brasil figura entre os maiores recebedores de tarifas e medidas antidumping em disputas comerciais dos últimos anos, de acordo com relatórios da OMC.
  • Mesmo com o início do ciclo de queda da Selic, o custo do crédito rural permanece elevado quando somados juros, risco e spreads bancários, especialmente para quem está fora do Pronaf e de linhas subsidiadas.
  • A Conab projeta safra acima de 300 milhões de toneladas de grãos em cenários de normalidade climática, o que exige infraestrutura, financiamento e mercados externos estáveis para escoamento.
Fator de riscoImpacto principal no agro
Exigências da EuropaMais custo com adequação ambiental, risco de perda de mercado
Possível volta de TrumpAumento de protecionismo e imprevisibilidade comercial
Crédito caro no BrasilMenos investimento, maior risco financeiro ao produtor

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas devem acompanhar a implementação das regras europeias de desmatamento, o desenrolar das eleições nos Estados Unidos e a política de crédito rural do governo brasileiro, incluindo volume de recursos equalizados e taxas finais ao produtor. A capacidade de adaptação em sustentabilidade, gestão de risco e acesso a financiamento competitivo será decisiva para manter renda e participação do Brasil nos mercados globais.

Fontes

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