Milho recua com demanda fraca e expectativa de safra recorde
Preços do milho recuam diante da demanda mais lenta e da expectativa de produção recorde no Brasil na safra 2025/26.
Os preços do milho recuaram no mercado brasileiro diante da demanda mais fraca e da expectativa de uma produção recorde na safra 2025/26. O aumento da oferta amplia a pressão sobre as cotações e reduz o poder de negociação do produtor no curto prazo.
O que aconteceu
A combinação entre ritmo mais lento de compras e perspectiva de colheita elevada pressionou os preços do cereal. Consumidores seguem cautelosos, enquanto produtores avaliam o melhor momento para vender a produção e liberar espaço para novos volumes.
A oferta brasileira deve crescer com o desempenho das três safras de milho. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção total pode alcançar 144 milhões de toneladas em 2025/26, alta de 2% sobre a temporada anterior.[1]
A segunda safra, principal componente da oferta nacional, tem previsão de 112,1 milhões de toneladas. O volume fica próximo do recorde anterior e aumenta a disponibilidade justamente em um período de pressão sobre os preços.[1]
Por que importa para o agro
Para o produtor, a queda das cotações reduz a receita por tonelada e pode comprometer as margens, principalmente em regiões com frete elevado, custo de armazenagem ou necessidade de venda imediata. A decisão de comercializar deve considerar custos, vencimento de contratos e capacidade de guardar o grão.
Na cadeia de proteína animal e na indústria de etanol de milho, preços menores podem reduzir o custo da matéria-prima. Esse efeito, porém, depende da logística, da disponibilidade regional e do comportamento da demanda interna e externa.
Dados e contexto
A Conab projeta uma produção recorde de grãos de 361,7 milhões de toneladas na safra 2025/26. O milho representa cerca de 40% desse volume.[1]
| Indicador | Estimativa para 2025/26 |
|---|---|
| Produção total de milho | 144 milhões de toneladas |
| Primeira safra | Produtividade de 7.191 kg/ha |
| Segunda safra | 112,1 milhões de toneladas |
| Terceira safra | 2,39 milhões de toneladas |
A primeira safra deve registrar produtividade recorde, estimada em 7.191 quilos por hectare, alta de 8,8%. Já a terceira safra tem previsão de queda de 20,1%, para 2,39 milhões de toneladas.[1]
O USDA também elevou sua estimativa para a produção brasileira de milho em 2025/26 para 138 milhões de toneladas, com produtividade projetada em 6,05 toneladas por hectare.[2] A diferença em relação à Conab decorre de metodologias, calendários e premissas distintas de avaliação.
O que observar daqui para frente
O mercado deve acompanhar o avanço da colheita, o ritmo das exportações, a demanda das usinas de etanol e o consumo das fábricas de ração. Para o produtor, a estratégia passa por comparar preços líquidos, custos de armazenagem e necessidade de caixa antes de fechar novos lotes. Clima adverso, câmbio e mudanças no fluxo externo podem alterar rapidamente o equilíbrio entre oferta e demanda.
Fontes
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