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ONU projeta desaceleração de EUA e China entre 2026 e 2027

Relatório da ONU prevê crescimento mais fraco para EUA e China em 2026–2027, com reflexos diretos sobre demanda, preços e câmbio para o agronegócio brasileiro.

19 de maio de 2026 4 min de leitura
ONU projeta desaceleração de EUA e China entre 2026 e 2027

A Organização das Nações Unidas reduziu as projeções de crescimento para Estados Unidos e China entre 2026 e 2027, apontando desaceleração das duas principais economias do mundo. A mudança de cenário acende alerta para países exportadores de commodities, como o Brasil, que dependem da demanda externa e do câmbio para sustentar renda no campo.

O que aconteceu

Relatório econômico da ONU sobre perspectivas globais revisou para baixo o ritmo de expansão de EUA e China no médio prazo. O documento indica que, após algum fôlego de recuperação, as duas economias devem crescer menos do que o esperado anteriormente ao longo de 2026 e 2027.

No caso dos Estados Unidos, o organismo cita juros ainda elevados por mais tempo, crédito mais caro e perda de tração do consumo das famílias. Já para a China, pesam o esfriamento do setor imobiliário, o endividamento de governos locais e a transição para um modelo menos baseado em investimentos pesados.

A ONU também chama atenção para o risco de fragmentação do comércio internacional e para tensões geopolíticas, que podem limitar fluxos de investimentos e trocas entre grandes blocos econômicos. Esse quadro tende a tornar o crescimento global mais fraco e irregular, com impacto direto sobre os preços de matérias-primas.

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Por que importa para o agro

EUA e China são decisivos para o agronegócio brasileiro: os dois países concentram parte relevante da demanda global por soja, milho, carne e algodão, além de influenciarem o mercado financeiro e o câmbio. Crescimento mais fraco costuma significar consumo menor ou mais moderado, o que tende a pressionar cotações internacionais em dólares.

Ao mesmo tempo, menor atividade global pode fortalecer o dólar frente a moedas emergentes, inclusive o real. Para o produtor, isso pode compensar parte de uma eventual queda nas cotações em Chicago, mantendo a rentabilidade em reais nas exportações. Porém, insumos importados, como fertilizantes e defensivos, também ficam mais caros, exigindo gestão fina de custos.

Dados e contexto

Segundo balanços recentes de comércio exterior, a China segue como principal destino do agro brasileiro, enquanto os EUA são concorrentes e parceiros em diversos mercados:

Indicador (dados recentes)Valor aproximado
Participação da China nas exportações totais do Brasil (MDIC/Comex)**cerca de 30%**
Participação da China no total exportado pelo agronegócio (MAPA)**acima de 35%**
Participação do agro no PIB brasileiro (CNA/FGV, IBGE)**27% a 28%**
Participação de soja, milho e carnes no valor exportado do agro (MAPA/Secex)**mais de 60%**

Estudos de organismos como FAO e OCDE apontam que o consumo de alimentos cresce em linha com a renda per capita. Quando grandes economias desaceleram, a expansão do consumo de proteínas animais, óleos vegetais e derivados tende a perder ritmo, o que afeta a capacidade de alta dos preços.

Esse quadro se soma a outros fatores já monitorados pelo produtor: o comportamento do clima (Fenômeno El Niño ou La Niña), políticas agrícolas dos EUA, estoques globais estimados por USDA e Conab e eventuais medidas sanitárias ou ambientais que alterem fluxos de comércio.

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias do agro devem acompanhar as próximas revisões de crescimento de organismos como ONU, FMI e Banco Mundial, além dos relatórios de oferta e demanda de USDA e Conab. A combinação de economia mundial mais fraca, câmbio volátil e custos ainda elevados exige planejamento de safra conservador, uso de travas de preços, diversificação de mercados compradores e atenção redobrada à gestão financeira da propriedade.

Fontes

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