Pé de frango ganha espaço pelo colágeno e vira oportunidade no agro
Rico em colágeno e cálcio, o pé de frango sai do descarte e ganha valor na mesa do consumidor e na indústria, abrindo mercado para a avicultura.

O pé de frango, antes visto como subproduto de baixo valor, vem ganhando espaço na mesa do brasileiro e na indústria de alimentos. A fama recente está ligada ao alto teor de colágeno, mas nutricionistas destacam que o corte também entrega proteína, cálcio e outros nutrientes, o que reforça o aproveitamento integral da carcaça e abre frente de receita extra para a avicultura.
O que aconteceu
A matéria do Canal Rural mostra que o pé de frango passou de ingrediente marginal a opção buscada por consumidores atentos à saúde articular, estética e custo-benefício. A procura cresceu com a popularização das dietas ricas em colágeno e com o encarecimento das proteínas tradicionais, como peito e coxa.
Nutricionistas ouvidos pela reportagem destacam que o pé é composto por pele, tendões e cartilagens, estruturas concentradas em colágeno, principalmente do tipo II, associado à saúde de articulações. Além disso, a carne ao redor fornece proteína de boa qualidade, com todos os aminoácidos essenciais.
Outro ponto destacado é o baixo preço por quilo em comparação a outros cortes de frango, o que torna o pé uma alternativa acessível para famílias de menor renda. O preparo em caldos, sopas e cozidos melhora o rendimento nas refeições, com aproveitamento do caldo rico em gelatina e minerais.
Por que importa para o agro
Para o produtor e para a indústria de frango de corte, o movimento de valorização do pé significa transformar um subproduto em item de maior valor agregado. Isso melhora a rentabilidade da carcaça, dilui custos de produção e reduz desperdícios ao longo da cadeia.
A demanda maior, tanto do mercado interno quanto das exportações, tende a incentivar o desenvolvimento de produtos específicos, como caldos prontos, concentrados de colágeno e ingredientes para a indústria de alimentos e suplementos. O pé de frango, que já é importante em mercados asiáticos, ganha agora espaço também no consumo doméstico brasileiro.
Dados e contexto
De acordo com a Embrapa Suínos e Aves, o Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de frango do mundo, com produção anual superior a 14 milhões de toneladas de carne de frango.[2][9] Esse volume gera grande oferta de pés, asas, pescoços e outros cortes tradicionalmente menos valorizados.
A China é um dos principais destinos de pés e outras miudezas de frango brasileiras, com embarques que historicamente pagam preços interessantes por itens pouco consumidos no Ocidente, o que aumenta a receita por ave abatida.[2][9] Com o ganho de imagem do pé no mercado interno, a indústria pode equilibrar melhor vendas entre exportação e varejo nacional.
Em termos nutricionais, o pé de frango oferece:
- Colágeno em alta concentração, especialmente em preparos de longa cocção
- Proteína de origem animal, com boa digestibilidade
- Minerais como cálcio, fósforo e magnésio
- Pouco tecido muscular, o que exige atenção ao teor de gordura da pele
O que observar daqui pra frente
A valorização do pé de frango tende a abrir espaço para linhas industriais específicas, certificação de qualidade e comunicação nutricional mais clara ao consumidor. Para o agro, a oportunidade está em organizar oferta, padronizar o produto e buscar nichos como food service, indústria de caldos e suplementação de colágeno, sem perder competitividade no mercado externo que já paga bem por esse corte.
Fontes
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