Pedidos de recuperação judicial no agro sobem e acendem alerta
Pedidos de recuperação judicial no agronegócio cresceram no 1º trimestre e mostram pressão maior sobre produtores endividados.
Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio chegaram a 474 no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% ante o mesmo período de 2025, segundo a Serasa Experian. O avanço reforça a piora do quadro de endividamento no campo e aumenta a preocupação com crédito, renegociação e continuidade das operações rurais.[1]
O que aconteceu
O indicador reúne pedidos feitos por produtores rurais pessoa física e jurídica, além de empresas ligadas à cadeia produtiva. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, houve também aumento, de 408 para 474 solicitações.[1]
O movimento ocorre em meio a custos elevados, dívidas mais pesadas e maior dificuldade de rolagem de passivos. O aumento mais forte veio de produtores que atuam como pessoa jurídica, sinalizando pressão maior sobre estruturas empresariais do agro.[1]
A leitura do mercado é que a recuperação judicial deixou de ser um caso isolado e passou a refletir uma parte relevante da crise financeira no setor. Outros levantamentos recentes mostram que o agro segue entre os segmentos mais pressionados do país.[2][5]
Por que importa para o agro
Para o produtor, a alta nos pedidos indica um ambiente de financiamento mais apertado. Isso tende a afetar custo de capital, acesso a crédito novo e capacidade de atravessar safras com margem menor, especialmente em atividades mais alavancadas.[1][3]
Para a cadeia, o efeito se espalha para fornecedores, tradings, cooperativas, revendas e credores. Quando a recuperação judicial cresce, aumenta o risco de atraso em pagamentos, renegociação em massa e revisão de contratos em vários elos do agronegócio.[2][5]
Dados e contexto
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Pedidos de RJ no agro no 1º tri de 2026 | **474** |
| Variação anual | **+21,9%** |
| Variação ante o 4º tri de 2025 | **408 para 474** |
| Série recente do setor | Alta contínua desde 2024/2025 |
A Serasa Experian informou que o indicador engloba produtores pessoa física e jurídica e empresas da cadeia. Em levantamentos paralelos, a NEOT apontou 517 pedidos no 1º trimestre de 2026 e passivo estimado em R$ 38 bilhões, o que confirma a pressão sobre o setor, embora com metodologias diferentes.[1][5]
Em 2025, o agro já havia fechado com 1.990 pedidos de recuperação judicial, recorde da série acompanhada pela Serasa desde 2021.[6][11]
O que observar daqui pra frente
O mercado deve acompanhar se a alta dos pedidos continua nos próximos trimestres e se haverá avanço da inadimplência na ponta do crédito rural. Também pesa a resposta dos bancos, das tradings e das empresas de insumos, que podem endurecer garantias e encurtar prazos.[1][2]
Outro ponto é o comportamento das safras e das margens. Se juros, custo financeiro e preços pressionarem a rentabilidade, o número de pedidos pode seguir em alta e atingir ainda mais produtores com estrutura empresarial maior.[3][12]
Fontes
- G1 – Crise no campo: pedidos de recuperação judicial saltam entre produtores rurais
- Globo Rural – Recuperação judicial no agro cresceu 66% em um ano no país
- CNN Brasil Agro – Recuperações judiciais no agronegócio sobem 33% no 1º trimestre
- G1 – Recuperação judicial no agro cresce 56% e atinge nível recorde
- G1 – Agro atinge recorde de 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, diz Serasa Experian
- valor.globo.com
- g1.globo.com
- oglobo.globo.com
- cnnbrasil.com.br
- oglobo.globo.com
- oglobo.globo.com
- cnnbrasil.com.br
- timesbrasil.com.br
- moneytimes.com.br
- g1.globo.com
- terra.com.br
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