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Preço do arroz pressiona lucro da Camil no segundo trimestre

Camil registra lucro de R$ 41,3 milhões no segundo trimestre, queda de 47,5%, em meio à pressão dos preços do arroz.

08 de outubro de 2026 3 min de leitura
Preço do arroz pressiona lucro da Camil no segundo trimestre

A Camil Alimentos registrou lucro líquido de R$ 41,3 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 47,5% na comparação anual. O resultado foi afetado pela pressão sobre os preços do arroz, principal referência para a rentabilidade da companhia. O Ebitda também recuou, apesar da manutenção do volume comercializado.

O que aconteceu

O Ebitda da Camil somou R$ 225,3 milhões no trimestre, baixa de 10,1% em relação ao mesmo período de 2025. A margem Ebitda ficou em 8,2%, uma redução de 0,3 ponto percentual na comparação anual.

A queda dos preços das commodities reduziu o valor médio dos produtos vendidos. No segmento de alto giro, que reúne arroz, feijão e açúcar, o volume comercializado avançou 13,9%, para 333,1 mil toneladas. O aumento das vendas, porém, não compensou totalmente a perda de rentabilidade.

No arroz brasileiro, as vendas cresceram 14% em um ano. O avanço indica demanda e ganho de volume, mas também mostra o desafio enfrentado pela indústria: vender mais em um mercado com preços pressionados e margens menores.

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Por que importa para o agro

A situação da Camil reflete uma dificuldade que atinge toda a cadeia do arroz. O produtor enfrenta preços baixos, enquanto a indústria precisa administrar estoques, custos de aquisição, logística e repasses ao varejo. Quando o valor do grão recua, o efeito aparece nos resultados das empresas, mesmo com maior movimentação de produto.

No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a Conab informou preço médio de R$ 53,27 por saca de 50 quilos, abaixo do preço mínimo de R$ 63,74. A diferença reduz a capacidade de investimento do produtor e aumenta a dependência de medidas de apoio ao escoamento e à comercialização.

Dados e contexto

  • Lucro líquido da Camil: R$ 41,3 milhões no 2T26, queda anual de 47,5%.
  • Ebitda: R$ 225,3 milhões, recuo de 10,1%.
  • Margem Ebitda: 8,2%, ante 8,5% no segundo trimestre de 2025.
  • Volume do segmento de alto giro: 333,1 mil toneladas, alta de 13,9%.
  • Vendas de arroz no Brasil: crescimento anual de 14%.
  • Preço médio ao produtor no Rio Grande do Sul: R$ 53,27 por saca de 50 quilos.
  • Preço mínimo no estado: R$ 63,74 por saca, segundo a Conab.
Para a safra 2025/2026, a Conab estima produção brasileira de 10,91 milhões de toneladas, redução de 14,4% sobre o ciclo anterior. A área plantada deve somar 1,56 milhão de hectares, queda de 11,6%. Mesmo com menor oferta projetada, a recuperação dos preços depende do ritmo de consumo, dos estoques e das importações.

O que observar daqui para frente

A recuperação da Camil dependerá da reação dos preços do arroz e da capacidade de preservar margens com maior volume de vendas. O mercado deve acompanhar estoques, importações, custos de frete e medidas de apoio ao produtor. Para a cadeia, uma alta sustentável precisa superar os custos de produção sem reduzir o consumo no varejo.

Fontes

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