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Produção de carne de peru volta a crescer após década de queda

Depois de cair mais de 60% em dez anos, a produção de carne de peru no Brasil mostra sinais claros de retomada, puxada por exportações e mudança no consumo.

07 de setembro de 2026 4 min de leitura
Produção de carne de peru volta a crescer após década de queda

Depois de uma década de retração forte, a produção de carne de peru no Brasil começa a dar sinais de recuperação. O movimento é sustentado por aumento das exportações e por uma diversificação do consumo interno, que vai além do tradicional peru de Natal. O setor volta a enxergar espaço para investimentos, especialmente nas regiões Sul e em plantas habilitadas para mercados externos.

O que aconteceu

Em 2012, o Brasil atingiu seu pico histórico na produção de carne de peru, com cerca de 442 mil toneladas ao ano. Nos anos seguintes, o fechamento de frigoríficos e o enxugamento da estrutura industrial derrubaram esse número para pouco mais de 160 mil toneladas, uma queda superior a 60% em dez anos.

A partir de 2021 e 2022, os dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e da Conab mostram estabilização e início de retomada, com produção acima de 150 mil toneladas e exportações voltando a crescer. Em 2023, os embarques de carne de peru passaram da casa de 70 mil toneladas, com faturamento próximo de US$ 200 milhões, indicando recuperação do interesse externo.

Parte dessa retomada vem da reativação de plantas de abate e da habilitação de unidades para exportação para mercados como México, África do Sul e Chile. No Paraná, por exemplo, a reabertura de fábrica em Francisco Beltrão reestruturou a cadeia e elevou os volumes exportados, recolocando o Estado entre os protagonistas da produção nacional.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, a volta do crescimento na carne de peru abre alternativa de receita num cenário em que frango de corte e suínos já operam com margens apertadas. A atividade demanda manejo técnico, mas pode aproveitar infraestrutura existente de avicultura, principalmente em regiões com tradição em aves.

Na indústria e no mercado, o avanço das exportações ajuda a reduzir a dependência do consumo sazonal de Natal, distribuindo melhor a produção ao longo do ano. A diversificação dos cortes – como coxas, sobrecoxas e presunto de peru – amplia o portfólio de produtos e favorece contratos mais estáveis com varejo e food service.

Dados e contexto

Embrapa, Conab, ABPA e IBGE apontam uma década marcada por forte oscilação na carne de peru:

IndicadorValor aproximado

| Produção em 2012 | 442 mil t | | Produção mínima (2021) | cerca de 160–180 mil t | | Produção em 2022 | ≈ 162 mil t | | Produção média recente | > 150 mil t/ano | | Exportações em 2023 | ≈ 70 mil t | | Receita de exportações em 2023 | cerca de US$ 200 milhões |

Os dados mostram que a retração foi ligada ao fechamento de plantas em estados como Santa Catarina e Minas Gerais, concentrando a produção na região Sul. ABPA e Conab indicam que cerca de 65% a 70% da carne de peru fica no mercado interno, enquanto 30% a 35% seguem para exportação.

O consumo doméstico vem mudando. Além da ave inteira nas festas de fim de ano, aumentou a demanda por cortes e produtos processados, como presunto e peito de peru, o que ajuda a diluir a sazonalidade e sustentar a produção ao longo do ano.

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias devem acompanhar de perto três pontos: evolução das habilitações sanitárias para novos mercados, ritmo de consumo interno de cortes de peru no varejo e estabilidade da capacidade de abate nas principais regiões produtoras. A combinação de câmbio favorável, abertura de novos destinos e campanhas de estímulo ao consumo fora da temporada de Natal pode transformar a atual retomada em um ciclo mais duradouro de crescimento.

Fontes

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