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Produção de fertilizantes fosfatados cai pela metade e acende alerta no campo

Corte superior a 50% na produção nacional de fosfatados aumenta risco de falta de adubo e pressiona custos da próxima safra.

21 de setembro de 2026 4 min de leitura
Produção de fertilizantes fosfatados cai pela metade e acende alerta no campo

A indústria de fertilizantes estima que a produção brasileira de fosfatados já caiu mais de 50% desde agosto, com risco de paralisação quase total a partir de outubro. O movimento resulta da disparada do preço do enxofre, matéria-prima essencial, e ameaça o abastecimento de adubos para culturas como soja, milho e café, elevando custos e aumentando a dependência de importações.

O que aconteceu

Mais da metade da produção nacional de adubos fosfatados está parada, segundo estimativa do sindicato que representa as fabricantes, o Sinprifert. O corte começou no meio do ano e se intensificou com a piora do mercado internacional de enxofre, encarecendo fortemente o insumo usado na fabricação de MAP, DAP e outros fosfatados.

Empresas relevantes do setor adotaram paralisações e regime de layoff em unidades produtivas. Na EuroChem, por exemplo, cerca de 450 funcionários tiveram atividades temporariamente suspensas em uma planta de fosfatados, refletindo a queda brusca de produção e o ajuste à nova realidade de custos.

Outras companhias, como a Mosaic, também reduziram ou interromperam linhas de fosfatados no Brasil diante da inviabilidade econômica de comprar enxofre, que em alguns momentos chegou a ficar mais caro que o próprio fertilizante final. A indústria alerta que, sem solução rápida, a produção pode “zerar rapidamente” nos próximos meses.

Por que importa para o agro

Fertilizantes fosfatados são críticos para a produtividade de culturas como soja, milho, trigo, arroz e pastagens. A combinação de produção doméstica em queda e oferta internacional pressionada abre espaço para alta de preços na próxima janela de compras, impactando diretamente o custo de produção do agricultor.

Com menos fosfatados locais, o Brasil tende a ficar quase 100% dependente de produto importado. Isso aumenta a exposição a câmbio, frete internacional e riscos geopolíticos, como conflitos no Oriente Médio que afetam o mercado de enxofre. Produtores podem ser forçados a reduzir doses ou adiar aplicações, o que traz risco de perda de produtividade e de qualidade da safra.

Dados e contexto

A Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) e outras fontes da indústria vêm mostrando queda relevante na produção nacional de fertilizantes intermediários e fosfatados ao longo de 2026.

  • Estimativa da indústria: corte superior a 50% na produção de fosfatados no Brasil desde agosto.
  • Produção nacional de intermediários caiu mais de 16% no primeiro semestre, em linha com o aperto na oferta de enxofre.
  • Antes da crise, a produção doméstica de fosfatados atendia cerca de 30% da demanda nacional, segundo dados setoriais; o restante vinha de importações.
  • Empresas relatam uso de aproximadamente 4 toneladas de enxofre para produzir 10 toneladas de fertilizantes fosfatados como MAP e DAP, expondo o setor a qualquer choque nesse insumo.
IndicadorSituação recente
Queda na produção nacional de fosfatadosSuperior a **50%** desde agosto
Participação da produção local na demandaCerca de **30%** antes da crise

| Redução de produção de intermediários | Aproximadamente 16% no 1º semestre | | Aplicação de fosfatados (estimativa Mosaic) | Corte projetado de até 30% em 2026 |

Instituições como ANDA e empresas globais de fertilizantes vêm alertando para um possível choque de oferta de fosfatados em 2027 caso o cenário de enxofre caro e restrito persista. O tema também entrou no radar de formuladores de políticas, com discussão sobre subsídios ao enxofre e estímulos à produção nacional.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar de perto a evolução dos preços de enxofre e de fosfatados, bem como eventuais medidas de apoio governamental e estratégias da indústria para retomar a produção interna. A janela de compra para a próxima safra exigirá planejamento mais fino de adubação, negociação antecipada com fornecedores e avaliação de alternativas técnicas, como ajuste de doses e uso de análises de solo, para reduzir o risco de ficar sem produto ou pagar caro demais pelo fertilizante.

Fontes

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