Produtor recua e importação de fertilizantes perde ritmo em 2026
Com ureia mais barata e fosfatados pressionados, produtores seguram compras e importações de fertilizantes recuam em meio a um mercado dividido.
O mercado brasileiro de fertilizantes entrou em compasso de espera em 2026, com importações em queda e um cenário dividido entre ureia mais barata e fosfatados pressionados. Produtores reduzem o ritmo de compras, operam mais na defensiva e ajustam o manejo para proteger caixa, em um país onde cerca de 80–90% dos fertilizantes são importados[2][4].
O que aconteceu
Depois de sucessivos recordes de entrada de adubos, as importações começaram a perder força em 2026. A queda reflete a postura mais cautelosa dos produtores, que alongam decisões de compra e priorizam apenas volumes essenciais para a safra.
O movimento ocorre em um momento de correção nos preços da ureia, principal fonte de nitrogênio, enquanto os fosfatados seguem mais pressionados no mercado internacional. A combinação de preços desconectados entre fontes e margens apertadas faz o produtor evitar antecipações agressivas.
A mudança de ritmo vem após anos de forte expansão. Em 2024, o Brasil importou cerca de 44 milhões de toneladas do complexo NPK[4], e em 2025 as compras totais chegaram a 45,5 milhões de toneladas, novo recorde histórico[1][3]. Em 2026, o mercado passa de ofensivo para defensivo, com mais gestão de risco na compra de insumos.
Por que importa para o agro
A desaceleração nas importações muda o jogo de formação de custo da próxima safra. Fertilizantes responderam em média por 23% dos custos totais de soja, milho e algodão em 2024, segundo a Conab[4]. Qualquer ajuste nos preços de ureia, fosfatos e potássicos impacta diretamente a rentabilidade.
Com o produtor comprando menos e mais perto da necessidade, cresce o risco de volatilidade no custo dos pacotes de adubação. Ao mesmo tempo, abre espaço para quem conseguir travar bons preços de nitrogênio em momentos de baixa, sem se expor demais aos fosfatados mais caros.
Dados e contexto
- Entre 80% e 90% dos fertilizantes consumidos no Brasil vêm do exterior[2][4].
- Em 2024, foram 44 milhões de toneladas importadas de NPK, com 37% de nitrogênio, 11% de fósforo e 32% de potássio[4].
- Em 2025, as importações totais atingiram 45,5 milhões de toneladas, com cerca de 88% do adubo usado no país vindo de fora[1][3].
- A dependência é especialmente alta em nitrogênio e potássio, com métricas de produção interna próximas de 8% para N, 3% para K e 44% para P[4].
- Fertilizantes representaram 23% dos custos nas principais culturas de grãos em 2024[4].
| Indicador | Brasil (últimos anos) |
|---|---|
| Participação de importados no consumo de fertilizantes | **80–90%**[2][4] |
| Importações de NPK em 2024 | 44 mi t[4] | | Importações totais em 2025 | 45,5 mi t[1][3] | | Peso dos fertilizantes no custo de soja/milho/algodão | 23%[4] |
Além do cenário de preços, pesa a questão geopolítica. Quase metade do adubo importado vem de países em conflito ou em áreas de instabilidade[3], o que reforça a postura defensiva do produtor ao planejar compras e estoques.
O que observar daqui pra frente
Produtores devem acompanhar de perto a curva de preços da ureia e dos fosfatados, além de câmbio e frete marítimo. Se a queda da ureia se firmar e os fosfatados perderem força, surgem oportunidades de travar pacotes completos de adubação com custo mais previsível. Por outro lado, qualquer choque de oferta externa ou nova alta em fosfatos pode exigir ajustes rápidos no manejo e na intensidade de adubação.
Fontes
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