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Projeto na Câmara quer punir alta abusiva no preço dos combustíveis

Relator na Câmara defende punição para aumentos abusivos de combustíveis, com impacto direto em frete, custo de produção e margens do agro.

19 de maio de 2026 4 min de leitura
Projeto na Câmara quer punir alta abusiva no preço dos combustíveis

A Câmara dos Deputados discute um projeto que cria punições para aumentos considerados abusivos no preço dos combustíveis. O relator da proposta defende regras mais claras e mecanismos de controle para coibir reajustes sem justificativa técnica ou de mercado. A medida interessa diretamente ao agro, que depende de diesel e frete rodoviário para escoar a produção.

O que aconteceu

O relator do projeto, deputado Zé Mário Schreiner (MDB-GO), apresentou parecer favorável a um texto que busca coibir aumentos considerados abusivos nos combustíveis. A proposta mira sobretudo a atuação de agentes da cadeia de distribuição, com foco em transparência de custos e possibilidade de responsabilização em caso de abusos.

Pelo relatório, órgãos como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e agências reguladoras teriam mais base legal para investigar e punir práticas que elevem preços sem respaldo em custos, tributos ou variações internacionais do petróleo. A ideia é criar parâmetros objetivos para diferenciar reajustes normais de condutas abusivas.

O projeto também discute mecanismos de proteção ao consumidor e obrigações de transparência na formação de preços, tanto para refinarias quanto para distribuidoras e postos. O relator argumenta que isso reduz assimetria de informações e facilita a fiscalização por parte de órgãos de controle.

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Por que importa para o agro

O agro brasileiro é altamente dependente do diesel. Alta repentina e descolada dos fundamentos de mercado pressiona frete, encarece insumos e reduz margem do produtor. Em anos de safra cheia, qualquer salto no custo do transporte pode transformar lucro esperado em prejuízo.

Se o projeto avançar e for bem regulamentado, o setor pode ganhar mais previsibilidade nos custos logísticos, principalmente na época de plantio e colheita. Reduzir movimentos especulativos ou abusivos ajuda cooperativas, tradings e transportadoras a planejar contratos de frete e travar custos com menos risco.

Dados e contexto

Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), cerca de 65% de toda a carga no Brasil é transportada por rodovias, e o agronegócio é um dos principais usuários desse modal. A Conab mostra que, em culturas como soja e milho, o frete pode chegar a 20% a 30% do custo logístico total, dependendo da região.

Nos últimos anos, choques de preços do diesel levaram a reajustes de frete que afetaram diretamente:

  • transporte de grãos do Centro-Oeste para portos do Sudeste e do Norte;
  • escoamento de carnes, leite e hortifrúti em regiões de menor infraestrutura ferroviária e hidroviária.
A Petrobras tem seguido política de preços alinhada ao mercado internacional, o que torna o país mais sensível à volatilidade do petróleo e do câmbio. No entanto, há espaço para distorções na ponta, entre distribuidoras e postos, onde podem ocorrer aumentos desproporcionais em momentos de maior demanda ou de crise.

Em paralelo, a inflação de combustíveis pesa no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), monitorado pelo IBGE. E pressão inflacionária costuma ser usada como argumento para elevar juros, o que encarece crédito rural e investimentos em armazenagem e logística.

Uma lei com critérios objetivos para definir “alta abusiva” pode fortalecer a atuação do Cade e de Procons estaduais, reduzindo brechas para cartéis regionais e práticas coordenadas de preços em postos, que já foram alvo de investigações em diversos estados.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro devem acompanhar a tramitação do projeto, em especial como serão definidos os critérios técnicos para caracterizar alta abusiva e quais órgãos terão poder de fiscalização. O ponto-chave será equilibrar proteção contra abusos sem desestimular investimentos em refino, distribuição e infraestrutura logística. A forma final da lei e sua regulamentação vão determinar se o setor terá mais previsibilidade de custos ou apenas mais burocracia sem resultado prático.

Fontes

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