Queda nas entregas de fertilizantes acende alerta para o agro
Entregas de fertilizantes caíram 8,8% até julho de 2026, com recuo mais forte no Sul e pressão sobre custos e planejamento das lavouras.

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro perderam ritmo em 2026. Entre janeiro e julho, foram comercializadas 23 milhões de toneladas, queda de 8,8% na comparação com o mesmo período de 2025. O recuo reduz a margem de planejamento dos produtores e aumenta a atenção sobre preços, disponibilidade e produtividade das próximas lavouras.
O que aconteceu
A retração se intensificou ao longo do segundo trimestre. Em maio, as entregas caíram 14,8% na comparação anual. O recuo chegou a 17,2% em junho e a 22,3% em julho. No último mês analisado, foram entregues 3,96 milhões de toneladas, ante 5,09 milhões um ano antes.
A redução não ocorreu de forma uniforme entre as regiões. O Sul registrou a maior queda percentual, de 20,5%, equivalente a 1,24 milhão de toneladas a menos. No Sudeste, o volume recuou 14%, com redução de 710 mil toneladas.
No Centro-Oeste, principal região produtora de grãos, a queda foi menor, de 5,1%. Já Norte e Nordeste apresentaram crescimento conjunto de 5,6%, indicando comportamento regional distinto na demanda por nutrientes.
Por que importa para o agro
A menor entrega pode refletir cautela do produtor diante dos preços dos fertilizantes, do câmbio, das margens apertadas e das incertezas sobre a rentabilidade das lavouras. Também pode indicar mudança no calendário de compras, com parte da demanda sendo postergada para períodos mais próximos do plantio.
O risco está na concentração das aquisições. Compras atrasadas podem elevar a exposição a oscilações de preços, fretes e disponibilidade. Para o produtor, a decisão de reduzir doses sem análise de solo também pode comprometer o potencial produtivo e aumentar a necessidade de correções futuras.
Dados e contexto
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Entregas de janeiro a julho de 2026 | 23 milhões de toneladas |
| Variação ante janeiro a julho de 2025 | -8,8% |
| Queda em maio | -14,8% |
| Queda em junho | -17,2% |
| Queda em julho | -22,3% |
| Redução no Sul | -20,5% |
| Redução no Sudeste | -14% |
Os dados divulgados pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) mostram contraste com 2025. Naquele ano, as entregas somaram 49,11 milhões de toneladas, alta de 7,7% sobre 2024. No acumulado de janeiro a setembro de 2025, o volume havia alcançado 35,865 milhões de toneladas, crescimento de 9,3% sobre o ano anterior.
A perspectiva de abastecimento também exige acompanhamento. As importações de fertilizantes caíram 15,7% de janeiro a setembro de 2026 e recuaram 27,9% apenas em setembro, segundo os dados apresentados na matéria. Como o Brasil depende de compras externas para grande parte do consumo, a redução pode afetar preços e prazos de entrega.
O que observar daqui para frente
Produtores devem acompanhar cotações, disponibilidade regional e custo por unidade de nutriente, sem definir cortes de adubação apenas pelo preço do produto. Análises de solo, planejamento antecipado e negociação com fornecedores podem reduzir riscos. O mercado também deve monitorar importações, câmbio, fretes e o comportamento das compras para a próxima safra.
Fontes
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