Mercado

Quem é o novo consumidor do agro – e por que ele importa

Novo estudo mostra que o principal consumidor do agro é B2B, urbano e institucional, exigindo inovação, rastreabilidade e narrativa clara do campo à gôndola.

19 de junho de 2026 4 min de leitura
Quem é o novo consumidor do agro – e por que ele importa

O novo consumidor do agro está menos na fazenda e mais na cidade, nos aplicativos, restaurantes, atacarejos, exportadores e grandes indústrias. Ele é B2B, urbano, digital e exigente, preocupado com preço, conveniência, segurança do alimento e impacto ambiental. Entender esse perfil muda a forma de comunicar, negociar e agregar valor em toda a cadeia.

O que aconteceu

Estudos recentes de mercado e comportamento de consumo mostram que a imagem clássica do consumidor do agro – a família urbana comprando no supermercado e “defendendo ou atacando” o campo – é só uma parte da história. A maior fatia de demanda vem de elos intermediários: indústrias de alimentos, redes varejistas, food service, tradings e mercado externo.[3][7]

Esses compradores decidem o que entra na gôndola, quanto de valor é capturado no campo e quais padrões técnicos, ambientais e sociais serão exigidos do produtor. Ao mesmo tempo, pesquisas indicam que o consumidor final urbano reforça a cobrança por qualidade, transparência, origem e responsabilidade socioambiental.[1][2][9]

Com isso, o agro passa a lidar com um “duplo cliente”: o comprador B2B, que olha volume, regularidade, custo e padrão; e o consumidor final, que olha propósito, saúde e sustentabilidade. Quem produz e quem vende insumos precisa aprender a falar com os dois.

Por que importa para o agro

Se o principal consumidor está na indústria, no varejo e na exportação, o produtor precisa pensar menos só em safra e mais em posicionamento de produto: padrão, certificações, rastreabilidade e narrativa. A decisão de compra acontece cada vez mais em clusters urbanos, em comitês de compras e em algoritmos de plataformas digitais.

Esse movimento abre espaço para quem consegue entregar consistência e informação confiável: ficha técnica bem feita, dados de origem, adequação a normas de resíduos, boas práticas de manejo e evidências de sustentabilidade. Ao mesmo tempo, pressiona quem trabalha no limite de conformidade, com baixa organização comercial e comunicação fraca com o mercado.

Dados e contexto

  • A China segue como principal compradora do agro brasileiro, liderando a lista dos 20 maiores destinos, à frente de EUA, União Europeia e outros mercados relevantes.[3][7]
  • Segundo a CNA, o Brasil é um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos, com exportações crescentes e abertura de mais de 500 novos mercados internacionais desde 2023, com forte peso do agro.[4][7]
  • Pesquisas de consumo indicam avanço na procura por alimentos com menor impacto ambiental, rastreáveis e com origem clara, com parte dos consumidores disposta a pagar mais por esses atributos.[1]
  • Levantamentos sobre atitudes em relação à alimentação mostram crescimento da intenção de comprar produtos frescos, saudáveis e sustentáveis, especialmente entre jovens urbanos, que cobram responsabilidade ambiental e social das marcas.[1][2]
  • Especialistas em comunicação de consumo destacam que o agro precisa explicar melhor o que entrega: práticas de manejo, uso racional de insumos, respeito a normas e contribuição para segurança alimentar.[9]
Tendência de consumoEfeito direto no agro
Mais exigência por transparência e origemPressão por rastreabilidade, documentação e certificações
Busca por sustentabilidade e menor impactoAdoção de boas práticas, bioinsumos, melhoria de imagem setorial
Crescimento de canais digitais e deliveryNecessidade de integrar dados e padrões do campo até o app
Concentração no varejo e na indústriaPoder de barganha maior dos compradores B2B

O que observar daqui pra frente

O agro que quiser crescer em valor – não só em volume – terá de olhar de perto o comportamento desse novo consumidor ampliado: indústria, varejo, exportador e urbano conectado. Isso significa acompanhar tendências de rotulagem, exigências sanitárias, metas ESG, plataformas digitais de compra e novas formas de relacionamento com a sociedade. Quem traduzir sua produção em informação confiável, escala e história bem contada tende a capturar espaço; quem ignorar essa mudança tende a perder lugar na gôndola e na agenda pública.

Fontes

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