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Refino de petróleo e biocombustíveis puxa queda do IPP em julho

Setor de refino e biocombustíveis lidera recuo do IPP em julho e reduz pressão de custos para a indústria, com reflexos diretos na cadeia do agro.

28 de agosto de 2026 4 min de leitura
Refino de petróleo e biocombustíveis puxa queda do IPP em julho

Os preços ao produtor da indústria voltaram a cair em julho, e o setor de refino de petróleo e biocombustíveis foi o principal responsável pelo recuo do Índice de Preços ao Produtor (IPP), segundo o IBGE. A queda reduz a pressão de custos da indústria e tende a aliviar fretes, energia e insumos usados em toda a cadeia do agronegócio.

O que aconteceu

O IPP da indústria registrou variação negativa em julho, em mais um mês de deflação na porta de fábrica, de acordo com dados do IBGE. O destaque foi a forte queda nos preços de coque, refino de petróleo e biocombustíveis, com recuo superior a 5% no mês em alguns levantamentos, o que respondeu pela maior parte da queda do índice.

Na abertura por atividades, o refino de petróleo e biocombustíveis teve a maior contribuição negativa para o IPP, retirando cerca de 0,5 ponto percentual do indicador mensal. Na sequência, vieram segmentos como alimentos e metalurgia, que também ajudaram a reduzir o nível geral de preços industriais.

O movimento ocorre após meses de forte volatilidade dos combustíveis, influenciada por ajustes nas refinarias, câmbio e oscilações das cotações internacionais do petróleo. Mesmo com a queda recente, alguns segmentos ainda acumulam alta no ano, mas com ritmo bem menor do que o observado em 2022 e 2023.

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Por que importa para o agro

Combustível é um dos principais componentes do custo logístico do campo. Quando o refino e os biocombustíveis barateiam na indústria, abre-se espaço para redução ou, ao menos, estabilização de diesel, gasolina e etanol ao produtor e no transporte da produção. Isso impacta diretamente o custo do frete de grãos, carnes, leite e insumos, especialmente em regiões distantes dos portos.

A queda também tende a aliviar custos de fertilizantes, defensivos e embalagens, já que boa parte desses insumos depende de derivados de petróleo em sua cadeia produtiva. Em um cenário de margens apertadas, qualquer recuo em energia e combustíveis ajuda o produtor a segurar o custo por hectare e a melhorar a rentabilidade por arroba, saco ou litro.

Dados e contexto

O IPP é calculado pelo IBGE e mede a variação de preços recebidos pela indústria na “porta de fábrica”, sem impostos e frete. É uma referência importante para acompanhar a pressão de custos que, depois, pode chegar ao varejo.

Nos últimos anos, o comportamento do refino de petróleo e biocombustíveis tem sido um dos principais vetores de oscilação do IPP:

Indicador (exemplos recentes)Variação aproximada
Refino de petróleo e biocombustíveis em julho (queda mensal)cerca de **-5%**
Influência do setor no IPP de julhocerca de **-0,5 p.p.**
IPP total em julho (variação mensal)queda próxima de **-0,8%**

Em divulgação anterior, o IBGE já havia registrado variações expressivas nesse segmento. Em julho de 2023, por exemplo, o refino teve queda de -2,91% no mês, com acumulado de -25,57% no ano e -39,23% em 12 meses, puxando para baixo o IPP da indústria de transformação.

Para o agro, esses números se somam a outros indicadores acompanhados por produtores e empresas, como:

  • Conab: custos de produção de grãos e carnes, sensíveis a frete e combustíveis.
  • MAPA: monitoramento de preços de insumos agropecuários.
  • ANP: preços médios semanais de combustíveis nos postos, que refletem, com defasagem, o movimento na refinaria.
Quando o IPP industrial cai por causa do refino, há maior probabilidade de desaceleração ou queda nos índices de preços ao consumidor e em indicadores específicos de custos do agro, embora isso não seja automático.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas da cadeia do agro devem acompanhar a evolução dos preços de diesel, fretes rodoviários e insumos derivados de petróleo nas próximas semanas, para aproveitar janelas de compra e renegociação de contratos. Se a queda no IPP do refino se mantiver e for repassada ao varejo, há espaço para reduzir o custo logístico da safra, melhorar margens e ajustar estratégias de armazenagem e venda, sobretudo em culturas com grande dependência de transporte rodoviário.

Fontes

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