Mercado

Resposta sanitária define retomada das exportações avícolas

Controle rápido do foco de Newcastle em Santa Catarina será decisivo para limitar embargos e acelerar a reabertura dos mercados.

21 de outubro de 2026 4 min de leitura
Resposta sanitária define retomada das exportações avícolas

A confirmação de um foco de doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina, colocou a resposta sanitária brasileira no centro das decisões sobre o comércio exterior. Para analistas, a velocidade na contenção do caso e a qualidade das informações enviadas aos parceiros serão determinantes para reduzir o alcance dos embargos e recuperar os embarques.

O que aconteceu

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou o foco em 18 de outubro de 2026. O estabelecimento foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina, e a movimentação de aves foi suspensa. As ações seguem o Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle, com medidas de controle, contenção e erradicação.

A ocorrência foi comunicada à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e aos países compradores. As restrições dependem dos protocolos firmados com cada mercado. A China suspendeu as compras de carne de aves proveniente de Santa Catarina, enquanto o México adotou restrição para produtos avícolas de todo o Brasil. O Chile também impôs limitações específicas a produtos e materiais de origem avícola catarinense.

A regionalização reduz o risco de paralisação completa das exportações brasileiras, mas não elimina a pressão sobre a cadeia. O resultado dependerá da comprovação de que o foco está isolado, sem disseminação para outras granjas ou regiões produtoras.

Imagem

Por que importa para o agro

O Brasil é um dos principais fornecedores mundiais de carne de frango. Qualquer bloqueio em grandes destinos pode elevar a oferta no mercado interno, pressionar preços pagos aos frigoríficos e afetar produtores integrados. A intensidade do impacto varia conforme a duração do embargo, o produto atingido e a capacidade de redirecionar volumes para outros compradores.

Para as empresas, a transparência sanitária é tão relevante quanto a eliminação do foco. Os importadores avaliam registros oficiais, resultados de monitoramento e cumprimento dos protocolos bilaterais antes de liberar novamente os embarques. Uma resposta rápida pode limitar o bloqueio a Santa Catarina; falhas de comunicação ou novos casos ampliam o risco comercial.

Dados e contexto

  • Em julho de 2024, um foco de Newcastle em uma unidade comercial de corte em Anta Gorda (RS) levou o Brasil a suspender preventivamente exportações para atender exigências de 44 países, segundo a Embrapa.
  • O Mapa notificou a OMSA sobre o fim daquele foco em 25 de julho de 2024.
  • No episódio atual, a China restringiu a carne de aves de Santa Catarina, enquanto o México suspendeu categorias de produtos avícolas de todo o Brasil.
  • A doença de Newcastle é uma enfermidade viral de aves. O controle oficial inclui interdição, suspensão de movimentação, investigação epidemiológica e vigilância em propriedades relacionadas.
O precedente de 2024 mostra que o reconhecimento do fim do foco não encerra automaticamente as barreiras comerciais. Cada país define o prazo e as condições para reabrir o mercado, conforme o certificado sanitário e o acordo bilateral.

O que observar daqui pra frente

O setor deve acompanhar os resultados da vigilância nas granjas sob investigação, a eventual identificação de novos focos e as atualizações do Mapa sobre as negociações com os importadores. A prioridade é demonstrar contenção territorial e ausência de disseminação. Se os protocolos forem cumpridos, a regionalização pode preservar boa parte das exportações; se surgirem novos casos, frigoríficos e produtores enfrentarão maior risco de queda de preços e reprogramação de abates.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo