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Safra maior derruba preços da laranja no interior de SP

Produção de laranja cresce no interior de SP, mas consumo menor de suco esfria a indústria e pressiona os preços pagos ao produtor.

06 de setembro de 2026 4 min de leitura
Safra maior derruba preços da laranja no interior de SP

A safra de laranja no interior de São Paulo vem em ritmo de recuperação, com mais fruta disponível para a indústria e o mercado in natura. Ao mesmo tempo, o consumo de suco de laranja recua no Brasil e no exterior, o que reduz a demanda da indústria e derruba os preços pagos ao produtor. O resultado é um cenário de oferta maior, margens apertadas e preocupação crescente na citricultura paulista.

O que aconteceu

Pomares do cinturão citrícola de São Paulo registram aumento de produtividade nesta safra, após anos de quebras por clima irregular e greening. A indústria de suco passou a receber mais fruta, mas enfrenta estoques mais confortáveis e vendas menores, especialmente para mercados tradicionais como Estados Unidos e Europa.[1][5][6]

Segundo Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBR, os preços muito altos do suco nas últimas três safras tiraram entre 30% e 40% do consumo global da bebida. Com o bolso do consumidor pressionado, parte migrou para outras opções de sucos e bebidas prontas.[1][5][10][14]

Na prática, a combinação de safra maior e demanda fraca se traduz em queda nas cotações da caixa de laranja destinada à indústria, depois de um período de preços recordes. Pesquisadores do Cepea/USP já apontavam essa virada de ciclo, com retomada da oferta e maior pressão sobre a remuneração.[8][9][12][15]

Por que importa para o agro

Para o produtor, o recuo nos preços chega em um momento de custos ainda elevados com insumos, mão de obra e controle de pragas como o greening. A margem fica apertada, principalmente para quem não conseguiu investir em tecnologia de manejo ou em contratos mais estruturados com a indústria.[9][11][15]

Na cadeia, o ajuste da indústria ao novo patamar de consumo de suco tende a ser duro. Menos receita com exportações e estoques mais altos de suco concentrado reduzem o apetite das empresas por pagar prêmios ao produtor, o que afeta desde grandes citricultores até pequenos fornecedores integrados à agroindústria.[5][9][12]

Dados e contexto

Nos últimos anos, o setor viveu um movimento de forte oscilação:

IndicadorSituação recente
Safra SP/MG 2025/26**+26,9%**, 292,94 milhões de caixas de 40,8 kg (Fundecitrus)[6]
Queda do consumo de suco**30% a 40%** em três anos (CitrusBR, Nielsen)[1][5][10][14]
Preço internacional do sucoRecordes entre 2023 e 2025, com contratos acima de US$ 5/lb e depois em queda[10][12]
Exportações de sucoVolumes estáveis ou em leve queda, com receita menor por tonelada embarcada[9][13]

Levantamentos da USP e do Cepea mostram que a caixa de laranja, que chegou a patamares históricos em 2024, perdeu força em 2025 e 2026, acompanhando a recomposição da oferta e dos estoques de suco.[2][4][8][12][15]

Ao mesmo tempo, o cinturão citrícola segue pressionado pelo avanço do greening e por eventos climáticos extremos. Estimativas recentes apontam queda próxima de 13% na produção projetada para 2026/27, enquanto quase metade das árvores da região já apresenta algum nível de impacto da doença.[10][11]

Esse cenário reforça a natureza cíclica do mercado: anos de quebra de safra levam a preços altos e retração do consumo; na sequência, a recuperação da produção ocorre em um ambiente de demanda já reduzida, o que derruba as cotações e exige maior eficiência da cadeia.[9][12][15]

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas precisam acompanhar de perto três movimentos: a evolução da demanda por suco em mercados-chave, o nível dos estoques industriais e o avanço do greening nos pomares. Estratégias de comercialização mais profissionais, diversificação de mercados e investimento em manejo sustentável podem ser decisivas para atravessar um ciclo de preços mais baixos sem perda estrutural de capacidade produtiva.

Fontes

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