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Safra recorde de soja em 2026/27 sob risco do El Niño

Safras & Mercado projeta safra recorde de soja no Brasil em 2026/27, mas fenômeno El Niño pode reduzir produtividade em regiões-chave.

20 de julho de 2026 4 min de leitura
Safra recorde de soja em 2026/27 sob risco do El Niño

O Brasil deve colher uma safra recorde de soja de 180,1 milhões de toneladas em 2026/27, segundo a Safras & Mercado, mantendo o país como maior produtor e exportador mundial da oleaginosa.[1] A projeção inclui aumento de área plantada, mas a consultoria alerta que o El Niño pode afetar chuvas e limitar a produtividade, especialmente em regiões do Sul e do Matopiba.[1]

O que aconteceu

A Safras & Mercado elevou sua estimativa para a safra brasileira de soja 2026/27 para 180,1 milhões de toneladas, acima do recorde anterior projetado para 2025/26, de cerca de 178 milhões de toneladas.[1][5] O avanço virá principalmente de nova expansão da área cultivada, com produtores mantendo a soja como principal aposta em relação a outras culturas.[1][5]

A consultoria projeta que a abertura de novas áreas, somada ao uso de tecnologia e sementes de maior potencial produtivo, deve sustentar a produção, mesmo sob cenário climático mais desafiador.[1][5] Ainda assim, o relatório destaca que o ciclo será marcado por maior incerteza climática por causa do El Niño, que pode redistribuir chuvas de forma irregular nas principais regiões produtoras.[1]

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o cenário é de produção potencialmente alta, mas risco elevado de frustração regional. Quem estiver em áreas mais sensíveis ao El Niño, como partes do Sul e do Nordeste, pode enfrentar estiagens ou chuva mal distribuída, pressionando a produtividade por hectare e encurtando a janela ideal de plantio.[1] Em um ambiente de custos ainda altos, qualquer quebra localizada pesa nas margens.

Para o mercado, uma safra recorde no Brasil ajuda a manter os estoques globais de soja mais confortáveis, num momento em que o USDA também projeta alta da produção mundial em 2026/27.[2][7] Isso tende a limitar altas mais fortes de preços em Chicago, reduzindo o espaço para repasses positivos ao produtor brasileiro, a menos que o impacto do clima seja mais severo do que o esperado.[2][7]

Dados e contexto

  • Safra de soja Brasil 2026/27 (Safras & Mercado): 180,1 milhões t.[1]
  • Estimativa anterior da consultoria para 2025/26: cerca de 178,1 milhões t, já recorde.[5]
  • Projeção do USDA para soja brasileira em 2026/27: 186 milhões t, alta de 3,3% sobre o ciclo anterior.[2]
  • Produção global de soja 2026/27: 441,7 milhões t, alta de 2,9% frente 2025/26.[7]
  • Conab estima produção total de grãos do Brasil em 353,4 milhões t na safra 2025/26, também em patamar recorde.[4][8]
| Indicador | Safra 2025/26
Projeções 2026/27

| Soja Brasil – Safras & Mercado | ~178,1 milhões t[5] | 180,1 milhões t[1] | | Soja Brasil – USDA | 180 milhões t aprox. (base)[2] | 186 milhões t[2] | | Soja mundo – USDA | 429,5 milhões t[7] | 441,7 milhões t[7] |

A Conab aponta crescimento moderado, mas constante, da produção de grãos, apoiado em tecnologia, adoção de cultivares mais produtivos e intensificação do uso de áreas já abertas.[4][8] Ao mesmo tempo, consultorias como Agroconsult indicam que, apesar dos recordes, margens estão mais apertadas, com aumento de custos de fertilizantes, frete e capital, além de crédito mais restrito.[3]

O que observar daqui pra frente

Produtores e agentes de mercado devem acompanhar de perto a evolução do El Niño, sua intensidade e posição das anomalias de temperatura no Pacífico, além das atualizações de previsão climática regionais. Mapear janelas de plantio, ajustar cultivares por ciclo e escalonar operações será essencial para reduzir riscos de perdas de produtividade. No mercado, a combinação entre clima no Brasil, estoques finais globais e demanda da China definirá o espaço para reação de preços e oportunidades de travamento antecipado.

Fontes

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