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Seara projeta crescer seis vezes acima do food service em 2026

Seara prevê expansão acelerada no food service, com foco em pequenos estabelecimentos e produtos de maior praticidade.

19 de outubro de 2026 4 min de leitura
Seara projeta crescer seis vezes acima do food service em 2026

A Seara prevê aumentar as vendas no canal de food service em 2026 a um ritmo seis vezes superior ao crescimento médio esperado para o mercado. A estratégia mira bares, restaurantes, lanchonetes, hotéis e outros negócios que compram alimentos para preparo e consumo fora de casa.

A projeção ocorre em um setor amplo, mas pressionado por custos, margens apertadas e necessidade de ganho de produtividade. Para a cadeia de carnes, o avanço do canal amplia a demanda por produtos porcionados, temperados, congelados e prontos para preparo.

O que aconteceu

A unidade Seara Food Solutions atende cerca de 100 mil clientes, de forma direta e indireta. Pequenos e médios estabelecimentos representam aproximadamente 80% dessa carteira, segundo informações divulgadas pela companhia.

O faturamento da área cresceu 50% nos últimos três anos. Para 2026, a empresa pretende acelerar a expansão com um portfólio voltado à praticidade, à padronização das receitas e à redução do tempo de operação nas cozinhas profissionais.

A estratégia inclui ampliar a presença junto a empreendedores de menor porte, que concentram grande parte dos pontos de venda do país. Esse público costuma buscar produtos com menor necessidade de manipulação, regularidade de entrega e controle mais previsível de custos.

Por que importa para o agro

O food service conecta diretamente a indústria de alimentos à produção de aves, suínos e bovinos. Um crescimento mais rápido do canal pode elevar a demanda por proteínas destinadas ao processamento e estimular contratos, planejamento de abates e desenvolvimento de produtos específicos para restaurantes.

Para o produtor, o movimento favorece cadeias capazes de entregar volume, padrão de qualidade e regularidade. A indústria, por sua vez, tende a buscar cortes e formulações que reduzam perdas, facilitem o preparo e atendam diferentes faixas de preço.

A expansão também reforça a importância da industrialização. Produtos temperados, porcionados e semiprontos agregam valor à matéria-prima e diminuem a dependência da venda de cortes in natura, embora aumentem a exigência por eficiência, rastreabilidade e controle sanitário.

Dados e contexto

  • A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) projeta crescimento real de 2% a 2,5% nas vendas do food service em 2026.
  • A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estima movimentação de cerca de R$ 540 bilhões no setor em 2026.
  • O Brasil reúne aproximadamente 1,2 milhão de estabelecimentos de alimentação fora do lar, segundo dados da ABIA e da Wise Sales.
  • Cerca de 72% desses estabelecimentos são de pequeno porte.
  • As vendas da indústria destinadas ao food service somaram R$ 287,9 bilhões em 2025, equivalentes a 28,3% do faturamento da indústria de alimentos no mercado interno, segundo a ABIA.
A diferença entre as estimativas mostra que o setor pode crescer em ritmos distintos conforme o indicador usado. A ABIA calcula a expansão real das vendas da indústria; a Abrasel considera a movimentação total da alimentação fora do lar, incluindo serviços e operações dos estabelecimentos.

O que observar daqui para frente

A execução dependerá da capacidade da Seara de ampliar distribuição sem elevar custos e de oferecer produtos compatíveis com a margem dos pequenos negócios. Inflação de alimentos, juros, renda das famílias e fechamento de restaurantes podem limitar o avanço. Para fornecedores e produtores, a oportunidade está no aumento da demanda por proteínas padronizadas e soluções de preparo rápido.

Fontes

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